Vacina contra COVID-19 tem previsão de resultados até junho, diz Pfizer

Vacina contra COVID-19 tem previsão de resultados até junho, diz Pfizer

Vacina padrão contra a gripe, que auxilia para descartar diagnóstico de outros tipos de infecções, não é eficaz contra a COVID-19

Foto: Marcello Casal- 24.mar.2020Agência Brasil

A farmacêutica americana Pfizer chamou a atenção do mundo nesta semana ao anunciar a produção em estado avançado de uma vacina que pode ser eficaz contra a COVID-19, com capacidade de entrar em atividade ainda em 2020.

A expectativa da empresa é que os primeiros resultados dos testes clínicos, que indicarão a real eficácia da imunização, sejam conhecidos entre o final de maio e o início de junho. “Se tudo correr como esperado durante o trabalho clínico, esperamos que seja possível ter no mês de outubro vacinas prontas para uso emergencial, além de fabricar centenas de milhões de doses até o final de 2020”, estima a Pfizer.

Respondendo a perguntas enviadas pela CNN, a farmacêutica explicou que a velocidade acima do usual no desenvolvimento de uma possível imunização está associada a um novo tipo de tecnologia, baseada no chamado RNA mensageiro, o mRNA.

São vacinas desenvolvidas a partir do código genético do vírus e não, como é padrão, de uma versão inativada do próprio composto que causa a doença. “Diferentemente das vacinas convencionais – que levam meses para se desenvolver e são produzidas por meio do crescimento de formas inativadas do vírus – as vacinas de RNA podem ser fabricadas rapidamente usando apenas o código genético do patógeno”, argumenta a empresa.

A sequência genética do SARS-CoV-2, o novo coronavírus que causa a COVID-19, foi descoberta e divulgada por cientistas chineses, epicentro da doença, em janeiro deste ano. O desenvolvimento da vacina, segundo a empresa, está na fase dos estudos clínicos, quando é testada a real eficácia da imunização e seus potenciais efeitos colaterais.

“Todos os fármacos, incluindo as vacinas, podem ter efeitos colaterais/adversos. Por isso, é importante ressaltar que um dos principais objetivos de um estudo clínico é determinar com precisão o perfil de segurança de vacinas e medicamentos”, diz a Pfizer.

A farmacêutica afirma que trabalha “em uma solução global para a prevenção da COVID-19”, mas que neste momento os testes estão priorizando a população adulta. Ao final dos estudos, diz a Pfizer, a empresa se reunirá com as autoridades reguladoras de cada país para definir exatamente a indicação que a imunização receberá.

O estudo está sendo realizado na Alemanha após a parceria da farmacêutica com a empresa alemã BioNTech. A escolha de país e parceira, segundo a Pfizer, foi feita porque a empresa europeia é parceira da americana desde 2018 no desenvolvimento de vacinas baseadas na tecnologia mRNA.

O estudo foi aprovado pelo Paul-Ehrlich-Institut, a autoridade reguladora alemã, e envolve doze participantes. Segundo a empresa, a equipe envolvida é oriunda de diversas nacionalidades. O investimento estimado no projeto é de US$ 500 milhões para o desenvolvimento e US$ 150 milhões para a ampliação da capacidade de produção.

Fonte: CNN Brasil

Fiocruz Minas participa de estudo para vacina contra Covid-19

Fiocruz Minas participa de estudo para vacina contra Covid-19

06/04/2020

Fonte: IRR/Fiocruz Minas

Pesquisadores da Fiocruz Minas estão integrando uma rede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas (INCTV) para o desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2). O estudo terá como base uma técnica elaborada pelo Grupo de Imunologia de Doenças Virais da Fiocruz Minas, que utiliza o vírus da influenza para gerar resposta imunológica contra o novo coronavírus. 

“A técnica consiste em usar o vírus da influenza como vetor vacinal. Como se trata de um vírus defectivo para a multiplicação, ele não causa a doença, mas gera produção de anticorpos. Com esse processo, uma das possibilidades é desenvolver uma vacina bivalente, que possa ser usada contra influenza e contra o coronavírus”, explica o pesquisador Ricardo Gazzinelli, líder do Grupo de Imunopatologia da Fiocruz Minas e coordenador do INCTV. A rede de estudo no INCT, sediado em Belo Horizonte, é formada por laboratórios de diferentes instituições.

A pesquisa envolve diversas etapas. Para iniciar o estudo, os pesquisadores trabalharão na construção do vírus recombinante. O vírus da influenza será modificado dentro do laboratório para que ele possa transportar parte da proteína do novo coronavírus, que lhe dará capacidade de oferecer proteção contra a Covid-19.

“Terminada esta etapa de construção, serão feitos testes em células infectadas para avaliar se o vírus de fato está produzindo a proteína do Sars-CoV-2. Trata-se de um ‘teste de qualidade do vírus’. A partir daí, iniciam-se novos processos que envolvem testes em camundongos e, futuramente, ensaios clínicos”, explica o pesquisador Alexandre Machado, do Grupo de Imunologia de Doenças Virais da Fiocruz Minas, que está à frente do desenvolvimento desta técnica. 

De acordo com Machado, o estudo conta com vários parceiros, que atuarão em diferentes fases da pesquisa. “Trata-se de um esforço coletivo envolvendo os vários membros da minha equipe: pós-doutorandos e alunos de pós-graduação, os quais estão na linha de frente deste projeto, e a colaboração com pesquisadores de diferentes instituições do Brasil, atuando conjuntamente e somando esforços para termos uma vacina nacional, que possa ser distribuída pelo Sistema Único de Saúde [SUS]”, destaca.

Gazzinelli ressalta que, embora as atividades já estejam em andamento, o desenvolvimento de uma vacina leva tempo. Em situações de calamidade pública, como a atual, em que as decisões relacionadas a financiamento são mais céleres, é possível chegar a resultados em torno de dois anos a três anos. “Este é um momento importante em que a ciência vem sendo chamada e nós estamos preparados para dar a nossa contribuição”, afirma.

Os projetos do INCTV são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Cientistas brasileiros podem criar vacina inovadora contra coronavírus

Cientistas brasileiros podem criar vacina inovadora contra coronavírus

Brasileiros trabalham em vacina contra coronavírus

Reprodução / Pixabay

Pesquisadores do InCor trabalham para desenvolver vacina com partículas parecidas com o novo vírus, o que difere do método de outros países

Cientistas brasileiros estão desenvolvendo uma vacina contra o novo coronavírus com um método diferente do utilizado até agora por grupos de pesquisadores de outros países, que esperam que ela seja testada em animais nos próximos meses.

Partículas semelhantes ao vírus

No Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), a concentração é absoluta. Cientistas brasileiros de diversas áreas investigam há um mês uma vacina feita por meio de partículas artificiais parecidas com o novo coronavírus, segundo o médico Jorge Kalil, diretor do laboratório e coordenador do projeto.

Até agora, a maioria dos experimentos desenvolvidos em países como Alemanha e Estados Unidos são baseados em vacinas criadas a partir do material genético do agente causador da doença, mais especificamente, da inserção de moléculas sintéticas de RNA mensageiro (mRNA) – que contêm as instruções para produção de alguma proteína reconhecível pelo sistema imunológico – na vacina.

Mas Kalil, que está em isolamento, depois que seu filho foi diagnosticado com covid-19 (doença causada pelo novo vírus), afirma que esse caminho não dará os resultados esperados.

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“Acreditamos que essa maneira [adotada pelos outros países], apesar de segura, não induz a uma resposta imunológica muito forte”.

A premissa dos brasileiros é “não utilizar o material genético” por causa da pouca informação existente sobre o novo coronavírus, mas sim desenvolver estruturas similares a ele, afirma o médico Gustavo Cabral, responsável pelo projeto.

“Não conhecemos tanto o vírus e as informações que temos são insuficientes para projetar uma vacina que utilize material genético”, pondera.

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Essas estruturas multiproteicas parecidas com o novo coronavírus são chamadas “VLPs”, sigla em inglês de “virus like particles”. Elas são criadas em laboratório por meio de técnicas de biologia molecular e podem ser facilmente reconhecidas pelas células do sistema imunológico.

“A vacina que nós propomos  tem a parte externa do vírus, mas não tem o ácido nucleico dentro, que é o que permite a sua multiplcação”, explica Kalil.

“Podemos fazer com que na superfície dessa partículas tenha pedaços de proteína do coronavírus, para que o sistema imunológico o perceba como se fosse o pr[oprio vírus e seja capaz de produzir anticorpos contra essa parte do coronavírus que queremos atacar”, completa.

Objetivo é atacar uma parte específica do novo coronavírus

Um denominador comum de várias investigações contra o novo coronavírus é a forma de atacá-lo. Algo em que já se trabalhava desde as outras epidemias causadas pela família coronavírus.

A chave está nas pontas características dos diversos tipos de coronavírus, que têm um formato esférico, de onde se sobressaem “pequenas flores”, que na verdade são proteínas, esclarece Kalil.

“A ideia é desenvolver uma resposta imune contra essa parte específica”, pois é a que “facilita que o coronavírus entre na célula”, diz Cabral.

Fonte: R7

Campanha de vacinação contra gripe será em março de 2020, diz ministro da Saúde

Campanha de vacinação contra gripe será em março de 2020, diz ministro da Saúde

Em meio aos esforços para conter o avanço do coronavírus, imunização ajudará no diagnóstico correto e evitará que os serviços de saúde fiquem sobrecarregados de pacientes com sintomas respiratórios (Foto: Divulgação)

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta quinta-feira (6) que a campanha contra a gripe deste ano deve começar em março – um mês antes do que no ano anterior, quando teve início em abril.

De acordo com Mandetta, a antecipação já estava prevista antes mesmo de o surto de coronavírus surgir no mundo. Entretanto, a imunização pode ajudar a descartar casos suspeitos – uma vez que os sintomas das duas doenças são parecidos –, e a evitar que os serviços de saúde fiquem sobrecarregados de pacientes com sintomas respiratórios.

“A vacina confere grau de imunidade. Se você tomou a vacina, você tem alguns vírus que estão no componente dessa vacina e vão alcançar 95, 97, 98% de não ser [infectado] porque estavam na vacina. Isso ajuda o profissional de saúde”, afirmou Mandetta.

A declaração foi dada durante a 1ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite 2020, com secretários de Saúde dos Estados e capitais de todo o país para discutir estratégias de um plano de contingência caso o coronavírus chegue ao Brasil.

Na quarta (5), o Ministério da Saúde afirmou que estima investir R$ 140 milhões em recursos para adquirir insumos no enfrentamento ao coronavírus, como a compra de máscaras cirúrgicas, luvas, materiais reagentes, entre outros.

Calendário de vacinação

A campanha de vacinação da gripe começará em março e terminará em abril. Em 2019, a campanha começou em 10 de abril e terminou em 31 de maio. O objetivo era imunizar 58,6 milhões de pessoas.

A vacina contra a gripe contém uma composição que varia a cada ano, de acordo com os vírus mais frequentes. Em 2019, ela estava continha vírus Influenza A H1N1, Influenza A H3N2 e um Influenza B.

Ainda assim 796 pessoas morreram e 3.430 foram infectados em 2019 somente com o H1N1. Ou seja, este vírus da gripe matou 23,2% dos pacientes internados no Brasil com sintomas, ou 23 a cada 100 doentes. Até agora, o coronavírus matou cerca de 2% dos pacientes internados com a infecção.

O ministro da Saúde também alertou para a campanha de vacinação contra o sarampo. Neste ano, ela começa em 10 de fevereiro e termina em 3 de março. O público alvo será crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. A segunda etapa deverá ocorrer de 3 a 31 de agosto, com público alvo de 30 a 59 anos.

Coronavírus no Brasil

O ministro da Saúde afirmou que o Brasil ainda passa por um período de planejamento preventivo contra o coronavírus, uma vez que nenhum caso foi confirmado em território nacional. Até a manhã desta quinta, havia 9 casos suspeitos em investigação.

Ele afirmou também que os estados deverão apresentar um plano de contingenciamento atualizado contra o coronavírus até a próxima segunda-feira (10).

“Ainda estamos num período que possa fazer planejamento, desenhar cenários e planejar. Cada estado vai ter que fazer um reunião desse formato com as cidades para construir cada uma a sua lógica”, disse.

“O plano cabe aos estados e municípios, o diálogo que fazemos é para dar mais respaldo. A gente espera receber até segunda-feira os planos de contingenciamento por estados. Vamos recepcionar e fazer eventuais críticas respeitando a organização dentro da estrutura orgânica dentro do ‘modus operandis’ do SUS”, complementou.

Fonte: Portal G1