Apesar de ser uma das regiões mais ricas de Minas Gerais, o Triângulo Mineiro ainda convive com altos índices de pobreza e miséria. Em Uberlândia e Uberaba, cerca de 111 mil pessoas vivem com até R$ 178 por mês, segundo dados de 2022 do CadÚnico. Para enfrentar essa realidade, o município de Uberlândia sediou nesta sexta-feira (27/9) o Encontro Regional do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba do Fórum Técnico Minas Sem Miséria.
O evento, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em parceria com mais de 70 entidades, reuniu representantes de 20 municípios no campus Glória da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O objetivo foi discutir e colher propostas para a construção do Plano Mineiro de Combate à Miséria, previsto na Lei 19.990/2011, que criou o Fundo de Erradicação da Miséria (FEM).
Durante os debates, a deputada Bella Gonçalves (Psol), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, criticou o uso de parte dos recursos do FEM para ações que não atacam diretamente a miséria, como o transporte escolar. Ela destacou que o fundo possui cerca de R$ 1 bilhão, mas 50% ainda não é utilizado como deveria. Os participantes reforçaram que a pobreza é multidimensional e envolve também moradia, saneamento, saúde, trabalho e educação.
Grupos de trabalho reuniram quase 200 participantes e priorizaram 25 propostas divididas em cinco eixos fundamentais, como segurança alimentar, educação, saúde, moradia e gestão do fundo. Entre as sugestões estão a destinação de 5% do FEM para educação de populações tradicionais, criação de serviços de proteção a famílias atípicas no SUAS e instalação de instrumentos jurídicos que garantam a posse da terra. A etapa estadual do fórum ocorrerá em 2026.
Da Redação Com informações da ALMG.
Foto: Ramon Bitencourt
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