A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais aprovou, em 1º de outubro de 2024, o Projeto de Lei nº 2.903/2024, que reconhece a Festa de Nossa Senhora do Rosário e a Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizadas no município de São Gonçalo do Sapucaí, como bens de relevante interesse cultural do estado. A medida visa valorizar manifestações culturais e religiosas de grande importância para a história e a identidade local, além de promover a preservação de patrimônio histórico.
A justificativa para o projeto destaca a rica história de São Gonçalo do Sapucaí, que, ao longo dos séculos, se tornou berço de figuras ilustres, como o Barão do Rio Verde, Raimundo Corrêa e Bárbara Heliodora. A Festa do Rosário, que ocorre tradicionalmente no município, remonta à época colonial, sendo mencionada pela primeira vez em um documento de 1880, que reformava os estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. A festa, no entanto, presume-se que seja realizada desde tempos mais remotos, dada a data de construção da igreja sede da irmandade, que remonta ao primeiro quartel do século XIX.
Com duração de quinze dias, a Festa do Rosário acontece entre os meses de maio e junho, sendo marcada por celebrações religiosas, incluindo a Novena em honra ao Divino Espírito Santo. Além de sua importância religiosa, a festa também é uma rica manifestação cultural que remonta à origem escrava da cidade, com destaque para as apresentações dos ternos de Congadas. Este evento, que reúne tradição religiosa e cultural, é um reflexo da história da cidade e da memória das populações afrodescendentes que ali viveram.
A Igreja Nossa Senhora do Rosário, um templo católico de grande valor histórico e arquitetônico, foi tombada pela Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Sapucaí por sua relevância cultural. Construída provavelmente entre o final do século XVIII e início do século XIX, a igreja está intimamente ligada à população negra, sendo Nossa Senhora do Rosário a santa de devoção dos escravizados. O histórico da igreja é escasso, mas registros documentais do final do século XIX confirmam sua existência. O sino da igreja, datado de 1808, é uma das poucas evidências materiais que ajudam a situar o período de sua construção, sugerindo que o templo tenha sido erguido antes dessa data.
O reconhecimento da Festa de Nossa Senhora do Rosário e da Igreja como patrimônio cultural do estado de Minas Gerais não só destaca sua importância religiosa e histórica, mas também reforça seu potencial turístico. Ao ser considerada de interesse cultural, a festa e a igreja ganham visibilidade e respaldo para a preservação de suas tradições e para o desenvolvimento de atividades que promovam o turismo local.
O projeto de lei segue agora para as Comissões de Justiça e de Cultura da Assembleia Legislativa para parecer, antes de sua possível sanção.



Da redação do Jornal Panorama
Com informações: ALMG
Imagens: Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Sapucaí/Deputada Estadual Ione Pinheiro
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