A Instituição Fiscal Independente (IFI) revisou, no Relatório de Acompanhamento Fiscal de junho, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o ano de 2024, passando de 2% para 2,4%. O aumento na projeção foi atribuído ao desempenho positivo da economia no primeiro trimestre, impulsionado sobretudo pelo setor agropecuário e pela manutenção de um mercado de trabalho aquecido, o que contribui para o aumento do consumo das famílias. Apesar desse cenário de maior atividade, o órgão avalia que o panorama fiscal do país segue preocupante.
O documento da IFI chama atenção para o crescimento contínuo da despesa obrigatória e o risco de déficits primários persistentes, o que poderá levar à elevação da Dívida Bruta do Governo Geral para além de 100% do PIB até 2030. De acordo com o diretor da entidade, Alexandre Andrade, esse patamar continuará subindo até pelo menos 2035. A IFI projeta, para o ano de 2025, um déficit primário de R$ 83 bilhões, correspondente a 0,66% do PIB, podendo chegar a 3% do PIB em 2032. Entre os principais fatores que pressionam os gastos públicos estão os fundos criados pela reforma tributária, o reajuste automático das despesas conforme o salário mínimo e as vinculações constitucionais para saúde e educação.
O relatório também questiona a viabilidade das metas estabelecidas no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, apontando que o contingenciamento necessário comprometeria o funcionamento da máquina pública ao reduzir as despesas discricionárias a um nível crítico. A IFI alerta para a insustentabilidade do atual regime fiscal e destaca que, sem a contenção das despesas obrigatórias, o governo federal continuará registrando déficits. Projeções indicam que os gastos primários podem ultrapassar 20% do PIB até 2035, enquanto a receita primária líquida pode cair de 18,3% do PIB, em 2025, para 17,7% até o fim do período analisado.
Com informações: Agência Senado
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