A COP30, encerrada no sábado (22) em Belém, trouxe pela primeira vez a inclusão direta de afrodescendentes em documentos oficiais das negociações climáticas. O termo aparece em quatro textos aprovados: Transição Justa, Plano de Ação de Gênero, Objetivo Global de Adaptação e o Mutirão, todos publicados pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
A menção ocorre após o feriado da Consciência Negra e reconhece a participação de pessoas de ascendência africana em processos de transição energética, adaptação climática e mobilização social. Os documentos destacam que trajetórias de transição devem respeitar direitos humanos, envolver grupos vulneráveis e adotar abordagens inclusivas e transparentes.
No Mutirão, iniciativa descrita como mobilização contínua antes, durante e após a COP30, os afrodescendentes são mencionados como atores essenciais para apoiar os países e contribuir com o avanço dos objetivos do Acordo de Paris. A inclusão também dialoga com avanços iniciados na COP16, que reconheceu povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais em políticas de biodiversidade.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, avaliou o reconhecimento como significativo, mas ressaltou a necessidade de ações concretas que considerem desigualdades estruturais e o impacto do racismo ambiental. Organizações da sociedade civil, como o Geledés Instituto da Mulher Negra, celebraram a decisão e afirmaram que o avanço cria espaço para políticas climáticas mais justas e voltadas às populações mais vulneráveis.
Da Redação
Com informações da Agência Brasil
Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR
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