A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou na segunda-feira (16) junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedido de anulação do acordo de delação premiada firmado pelo tenente-coronel Mauro Cid nas investigações sobre a trama golpista. Os advogados alegam que Cid mentiu durante o interrogatório e violou cláusulas de sigilo, o que, segundo a defesa, comprometeria os benefícios negociados com a Polícia Federal (PF).
Segundo o pedido, revelado após reportagem da revista Veja, Cid teria falseado informações ao ser questionado sobre perfis no Instagram identificados com o nome de sua esposa. Ele declarou não saber se os perfis pertenciam à mulher e negou terem sido utilizados para comunicação com outros investigados. A defesa de Bolsonaro sustenta que essas contradições têm o potencial de “acobertar sucessivas mentiras” e, por descumprirem o termo de confidencialidade, justificariam a revogação dos benefícios acordados.
Pelo acordo de delação, mantido em sigilo, qualquer descumprimento das cláusulas, entre elas a vedação de vazamento de depoimentos, pode resultar na perda de prerrogativas, como a possibilidade de responder ao processo em liberdade. A medida da defesa de Bolsonaro busca, portanto, invalidar todo o conteúdo da colaboração, afastando-o de eventual uso contra o ex-presidente.
Em resposta, os advogados de Mauro Cid afirmaram que as informações publicadas pela revista são “mentirosas” e anunciaram ter solicitado investigação sobre a titularidade dos perfis em questão. Segundo eles, os perfis nunca foram usados por Cid e não teriam qualquer relação com sua esposa.
Com o pedido de urgência para apreciação de Alexandre de Moraes, cabe agora ao ministro decidir se instaura procedimento para avaliar a nulidade da delação ou se mantém a validade do acordo firmado entre Cid e a PF.
Por Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Agência Brasil
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
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