Mesmo após o fim da fase crítica da pandemia, os impactos indiretos da Covid-19 seguem preocupando especialistas em Belo Horizonte, com destaque para o aumento dos casos de osteonecrose da cabeça do fêmur. A condição, caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o osso, tem sido registrada com mais frequência entre adultos de 20 a 50 anos. A dor no quadril e a limitação de movimentos, antes mais associadas à idade avançada, têm surgido em pessoas ativas e jovens.
Entre os fatores relacionados ao aumento da osteonecrose está o uso prolongado de corticoides, medicamentos amplamente utilizados no tratamento da Covid-19. Além disso, o próprio vírus, por seu potencial de provocar tromboses, pode contribuir para o comprometimento da circulação sanguínea nos ossos. É o caso do anestesista Robert Pouchain, 33 anos, que começou a sentir dores no quadril após a pandemia. O diagnóstico de osteonecrose veio apenas meses depois, após episódios de dor intensa e dificuldade de locomoção.
Segundo o ortopedista Bruno Rudelli, do Hospital Sírio-Libanês, o diagnóstico tardio é comum. “A doença pode evoluir de forma silenciosa até o colapso da articulação, exigindo cirurgias invasivas como a colocação de prótese total de quadril”, explica. Robert passou pelo procedimento em 2025 e relata significativa melhora após o pós-operatório. Casos como o dele ilustram o alerta da classe médica: dores persistentes devem ser investigadas com exames adequados.
Estima-se que 20 mil novos casos da doença sejam diagnosticados anualmente no Brasil, com o quadril sendo a região mais afetada. Em até 80% dos casos, ambos os lados são comprometidos, o que aumenta a gravidade da condição. O diagnóstico precoce, com exames como ressonância magnética e tomografia, é essencial para evitar limitações funcionais permanentes.
Da Redação Com informações da Prefeitura de Belo Horizonte
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