O Governo Federal avalia lançar uma nova etapa do programa Desenrola Brasil com foco em pessoas e empresas adimplentes, ou seja, que mantêm suas obrigações financeiras em dia, mas ainda enfrentam taxas elevadas de juros. A informação foi apresentada nesta quarta-feira, 6 de maio, pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
A proposta em análise busca ampliar o alcance do programa, que inicialmente concentrou esforços na renegociação de dívidas de brasileiros inadimplentes. Agora, a intenção é atender um público que, mesmo mantendo o pagamento regular de seus compromissos, encontra dificuldades para acessar crédito com condições mais favoráveis.
Segundo Durigan, a medida pretende contemplar especialmente trabalhadores informais, que não possuem renda fixa mensal ou histórico contínuo de recebimentos, o que frequentemente resulta na aplicação de juros mais elevados. Esse perfil, de acordo com o Ministério da Fazenda, representa uma parcela significativa da população que mantém a regularidade financeira, mas ainda enfrenta limitações no sistema de crédito.
O secretário destacou, no entanto, que a prioridade atual do programa continua sendo a população inadimplente. Para esse grupo, a ausência de crédito e a negativação do nome geram não apenas restrições financeiras, mas também impactos diretos na vida cotidiana, dificultando a retomada da atividade econômica individual.
Dentro dessa estratégia, o Desenrola Famílias segue como principal frente da política pública. A iniciativa é voltada a pessoas com renda de até cinco salários mínimos, ou cerca de R$ 8.105, e permite a renegociação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026. O programa oferece a possibilidade de quitar débitos com juros limitados a 1,99% ao mês, abrangendo modalidades como crédito pessoal não consignado, cartão de crédito e cheque especial.
Outro ponto relevante é a exigência de que instituições financeiras participantes invistam em educação financeira, destinando o equivalente a 1% das garantias do programa para ações voltadas à orientação dos consumidores. A medida busca não apenas resolver dívidas existentes, mas também prevenir novos ciclos de endividamento.
O programa também prevê a utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como forma de apoio à quitação de débitos. Beneficiários podem utilizar até 20% do saldo disponível, ou até R$ 1 mil — prevalecendo o valor mais alto — para liquidar dívidas à vista.
Como mecanismo adicional de proteção financeira, o Desenrola Brasil estabelece ainda o bloqueio temporário, por 12 meses, do CPF de participantes para apostas online autorizadas no país. A medida tem como objetivo evitar o agravamento da situação financeira durante o período de reorganização das contas.
A possível nova fase do programa, voltada aos adimplentes, deve ser definida nas próximas semanas, com expectativa de lançamento entre o fim de maio e o início de junho. Caso confirmada, a iniciativa ampliará o alcance do Desenrola Brasil, reforçando a estratégia do governo de estimular o acesso ao crédito e promover maior equilíbrio financeiro entre os brasileiros.
Por: Jonatan Daniel, com informações da Agência Brasil
Foto: Diego Campos
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