O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no dia 25 de março, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) que apontam um quadro preocupante na saúde mental de adolescentes brasileiros, com aumento de sentimentos de tristeza, irritação e pensamentos negativos entre estudantes de 13 a 17 anos em todo o país.
O levantamento, realizado em 2024 com 118.099 alunos de 4.167 escolas públicas e privadas, revela que três em cada dez adolescentes afirmam se sentir tristes sempre ou na maior parte do tempo. Proporção semelhante relatou já ter tido vontade de se machucar de propósito. Além disso, 42,9% disseram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados com frequência, enquanto 18,5% afirmaram que a vida, muitas vezes, não vale a pena ser vivida.
Os dados também evidenciam a falta de suporte adequado no ambiente escolar. Menos da metade dos estudantes está em instituições que oferecem algum tipo de apoio psicológico, sendo 58,2% na rede privada e 45,8% na rede pública. A presença de profissionais de saúde mental nas escolas é ainda mais limitada, alcançando apenas 34,1% dos alunos.
A pesquisa mostra ainda um cenário de desamparo emocional. Cerca de 26,1% dos estudantes disseram sentir que ninguém se preocupa com eles, e mais de um terço afirmou que os pais ou responsáveis não compreendem suas dificuldades. Outro dado relevante indica que 20% dos adolescentes relataram ter sofrido agressão física por parte de responsáveis ao menos uma vez no período de 12 meses anteriores à pesquisa.
As meninas apresentam indicadores mais elevados em todos os aspectos analisados, incluindo tristeza frequente, pensamentos de autoagressão e insatisfação com a própria imagem corporal. Entre os estudantes que relataram lesões autoprovocadas, os índices de sofrimento emocional são ainda mais altos, com destaque para sentimentos constantes de tristeza, irritação e falta de sentido na vida.
A pesquisa também aponta queda na satisfação com a imagem corporal entre os jovens, passando de 66,5% em 2019 para 58% em 2024, sendo a insatisfação mais expressiva entre as alunas.
Diante do cenário, especialistas reforçam a importância de ampliar políticas públicas voltadas à saúde mental de adolescentes, além de incentivar o acesso a serviços de apoio, como Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde e o Centro de Valorização da Vida, que oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188.
Os dados reforçam a necessidade de ações integradas entre escola, família e poder público para enfrentar o avanço do sofrimento emocional entre jovens e promover um ambiente mais acolhedor e seguro para essa população.
Da Redação do Jornal Panorama, com informações da Agência Brasil.
Foto: Tânia Rêgo
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