Coordenado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), o Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Simge) tornou-se uma das principais engrenagens do Estado para enfrentar eventos climáticos extremos, reduzir riscos e apoiar decisões estratégicas do poder público. Operando de forma integrada, o sistema monitora continuamente a atmosfera, emite previsões, avisos e alertas meteorológicos, além de produzir boletins e relatórios técnicos que orientam ações da Defesa Civil, gestores públicos e setores como agricultura, energia e abastecimento de água.
Em um cenário de mudanças climáticas, marcado pelo aumento da frequência e da intensidade de tempestades, secas e ondas de calor, a capacidade de antecipar riscos deixou de ser apenas uma ferramenta técnica para se tornar um instrumento central de proteção da população. O Simge atua exatamente nesse ponto: transforma dados meteorológicos complexos em informações operacionais que permitem ao Estado agir antes, durante e depois dos eventos adversos.
Entre os principais produtos do sistema estão a previsão do tempo diária, a previsão de tempo severo, os alertas de curto prazo para tempestades, os avisos meteorológicos e as tendências climáticas quinzenais e mensais. Cada um desses instrumentos opera em um horizonte distinto de antecedência, formando uma cadeia de informações que vai do planejamento estratégico à resposta emergencial.
A previsão diária apresenta o cenário esperado para as próximas 24 horas, podendo se estender até 72 horas, com foco especial em chuvas e variações de temperatura. Já a previsão de tempo severo aponta, com maior antecedência, as regiões com potencial para eventos extremos, como tempestades com granizo, ventos intensos e descargas elétricas — fatores que historicamente causam prejuízos à infraestrutura urbana, ao setor produtivo e colocam vidas em risco.
Os avisos meteorológicos ampliam essa capacidade de planejamento, ao informar riscos relevantes com até sete dias de antecedência, permitindo que municípios, concessionárias e órgãos públicos organizem ações preventivas. Os alertas, por sua vez, são o instrumento de resposta rápida: são emitidos quando o evento já está em curso ou é iminente, com até cerca de 120 minutos de antecedência, indicando com precisão as áreas que podem ser atingidas.
Para chegar a esse nível de detalhamento, o Simge opera com monitoramento permanente da atmosfera, integrando imagens de satélite, radares meteorológicos, dados de estações automáticas e sistemas de detecção de raios. A partir dessa análise em tempo real, os meteorologistas acompanham a evolução das tempestades, projetam seus deslocamentos e avaliam os impactos potenciais.
Essas informações são encaminhadas diretamente à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) e também divulgadas no site oficial do Simge. Paralelamente, os alertas chegam à população por meio de mensagens SMS, enviadas pela Defesa Civil Estadual, com indicação do tipo de risco, período de validade e principais perigos. O sistema cobre todos os municípios de Minas Gerais, com exceção de Belo Horizonte, que possui estrutura própria de monitoramento e envio de alertas.
Além da meteorologia de curto prazo, o Simge também fornece bases técnicas para políticas públicas de médio e longo prazo. O sistema produz boletins diários, tendências climáticas e relatórios técnicos, como o Diagnóstico Meteorológico Mensal e o Relatório Técnico do Período Chuvoso, documentos usados por gestores para avaliar padrões, definir investimentos e ajustar estratégias em áreas sensíveis, como defesa civil, saneamento e agricultura.
Outro eixo fundamental é o Monitor de Secas, iniciativa nacional da qual o Igam participa desde 2018 e pela qual é responsável pelos mapas das regiões Sudeste e Sul do país. A ferramenta mede a intensidade e os impactos da seca, permitindo antecipar problemas de abastecimento de água, orientar decretos de emergência e embasar decisões sobre gestão de recursos hídricos.
Segundo a analista ambiental do Igam, Paula Souza, o diferencial do sistema está justamente na capacidade de antecipação. “Os produtos do Simge funcionam como uma escada de antecedência. As tendências climáticas ajudam no planejamento, os avisos permitem organizar ações com dias de antecedência, e os alertas apoiam a resposta rápida durante eventos severos. Isso fortalece a tomada de decisão do poder público e amplia a segurança da população”, afirma.
Para ela, a integração entre tecnologia, análise especializada e comunicação direta com a Defesa Civil transforma o Simge em uma ferramenta estratégica para Minas Gerais. “Ao transformar dados técnicos em informações claras e acessíveis, o sistema contribui diretamente para a prevenção de desastres, a coordenação com a Defesa Civil e a redução de riscos associados a eventos climáticos extremos”, destaca.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Agência Minas
Foto: Igam/ Divlgação
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