O Governo de Minas Gerais divulgou, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), os resultados do Censo Turismo 2025, levantamento que traça um panorama atualizado das políticas públicas e da estrutura do turismo em praticamente todo o estado. A pesquisa ouviu 750 municípios e revela avanços consistentes na governança, no empreendedorismo, na sustentabilidade e na promoção dos destinos mineiros, embora ainda identifique desafios importantes, especialmente no monitoramento das ações.
Um dos principais destaques do levantamento é o crescimento das ações de fomento ao empreendedorismo turístico. Segundo o Censo, 70,4% dos municípios afirmam realizar iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor, um aumento expressivo em relação a 2023, quando esse índice era de 62%. Também houve avanço significativo nas ações de incentivo ao Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), que passaram a ser desenvolvidas por 78,9% das cidades, com estratégias como contatos telefônicos, visitas presenciais e comunicados digitais.
O estudo confirma ainda o fortalecimento da governança municipal do turismo. Quase a totalidade dos municípios pesquisados conta com instrumentos formais de gestão: 96,1% possuem Lei Municipal de Turismo, 93,9% têm Plano Municipal de Turismo — com o mesmo percentual afirmando que as ações previstas estão em execução — e 97,2% mantêm Fundo Municipal de Turismo (Fumtur). Esses fundos têm sido utilizados principalmente para a realização de eventos, ações de marketing turístico, contratações especializadas, obras de infraestrutura e sinalização turística.
No planejamento urbano, o turismo também começa a ganhar mais espaço. Embora apenas 45,2% dos municípios tenham Plano Diretor, entre eles, 89,1% já incorporam diretrizes específicas voltadas ao desenvolvimento turístico. A participação social aparece como outro ponto forte: 95,7% das cidades possuem Conselho Municipal de Turismo, e 81,5% adotam políticas que envolvem diretamente a população local na construção das estratégias do setor.
Para a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, os números refletem uma mudança estrutural na forma como o turismo vem sendo planejado em Minas. “Os municípios avançaram de forma consistente na governança, na sustentabilidade e na promoção dos seus destinos. Os números mostram que o trabalho integrado entre Estado, prefeituras e Instâncias de Governança Regionais está rendendo frutos concretos e confirmam que Minas está construindo um turismo mais estruturado, responsável e conectado às vocações de cada território”, avalia.
O Censo também aponta um crescimento relevante na captação de recursos. Entre 2023 e 2025, houve aumento de 63,9% no número de projetos financiados pelo governo estadual e de 7,6% naqueles apoiados pelo governo federal. Além disso, 26,5% dos municípios afirmam desenvolver projetos em parceria com a iniciativa privada, sobretudo nas áreas de infraestrutura turística, promoção de destinos e realização de eventos capazes de gerar fluxo de visitantes.
Na área de promoção turística, a presença digital tornou-se praticamente universal. De acordo com o levantamento, 97,1% dos municípios mantêm site institucional ou perfis ativos em redes sociais, com o Instagram liderando como principal ferramenta de divulgação. Também houve avanços na profissionalização da comunicação: 72,2% das cidades contam com banco de imagens, 58,5% produzem material promocional impresso e 80% realizam ações integradas ao portal Minas Gerais. A comercialização dos destinos por meio de agências receptivas alcança 24,2% dos municípios, crescimento de quase 20% em relação ao último censo.
A sustentabilidade aparece como uma tendência consolidada. Mais de 63% dos municípios já implementam práticas sustentáveis no turismo, enquanto quase 80% percebem aumento do interesse dos visitantes por viagens responsáveis. Para 81,6% dos gestores, os turistas demonstram disposição em pagar mais por serviços e experiências alinhadas a critérios ambientais e sociais.
Apesar dos avanços, o monitoramento das políticas públicas ainda é apontado como um dos principais gargalos. Apenas 12,9% dos municípios possuem sistemas estruturados de acompanhamento das ações de turismo, e 30,3% monitoram indicadores do setor de forma sistemática.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Secult-MG
Foto: Isis Medeiros
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