O Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), processo seletivo pioneiro que foi descrito como o “Enem dos Concursos”, trouxe consigo mudanças significativas na remuneração e mobilidade social dos aprovados. As pessoas selecionadas neste concurso viram seus rendimentos aumentarem, em média, 2,1 vezes, comparados aos salários de seus empregos anteriores. Este impacto foi mais expressivo para mulheres e homens pretos, pardos e indígenas, com um aumento médio de 2,48 vezes para as mulheres e 2,35 vezes para os homens dessas etnias.
Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o Seminário Internacional de Concursos Públicos, realizado em Brasília, nos dias 2 e 3 de junho de 2025. O evento, promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), discutiu os avanços e desafios das novas formas de seleção no serviço público.
Carlos Corseuil, técnico do Ipea, apresentou os resultados da primeira edição do concurso, que teve a participação de 970.037 candidatos de todas as regiões do Brasil. As provas ocorreram em agosto de 2024, e os resultados foram divulgados em fevereiro de 2025. As ofertas de emprego variaram entre R$ 4.008 e R$ 22.921, refletindo um salto significativo em comparação com o salário médio anterior dos candidatos, que era de R$ 7.657,37.
O impacto do concurso não se limitou apenas ao aumento salarial, mas também ao avanço da mobilidade social, especialmente entre grupos historicamente marginalizados. A aprovação no CPNU significou para 71,8% dos candidatos a chance de alcançar uma remuneração superior àquela que recebiam anteriormente no mercado de trabalho. Para mulheres e homens pretos, pardos e indígenas, o concurso representou um avanço significativo, permitindo que esses grupos conseguissem saltos remuneratórios mais expressivos, o que contribui para uma maior equidade no serviço público.
O concurso contou com a inscrição de pelo menos um candidato de cada um dos 5.555 municípios do Brasil, o que fez com que o processo seletivo se tornasse um marco na representatividade territorial e social no Brasil. Ao todo, os candidatos disputaram vagas em 173 cargos distribuídos por 8 blocos temáticos, sendo sete para nível superior e um para nível médio.
A ministra Esther Dweck, do MGI, destacou o sucesso da política de cotas, observando que 33% dos aprovados pertencem a grupos como pessoas negras, indígenas e com deficiência, superando o percentual mínimo exigido pela legislação. A nova Lei de Cotas, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 3 de junho de 2025, ampliou de 20% para 30% a reserva de vagas em concursos públicos para esses grupos, marcando um avanço no compromisso do governo com a inclusão.
A parceria entre o MGI e o Ipea, firmada ainda no planejamento do concurso, continua com a intenção de aproveitar a base de dados gerada pelo CPNU para aprofundar análises sobre mobilidade social e outros temas de interesse comum. O secretário de Gestão de Pessoas do MGI, José Celso Cardoso Júnior, afirmou que a construção de uma burocracia mais representativa é um dos objetivos principais do concurso, refletindo um movimento mais inclusivo e aderente à diversidade do perfil socioeconômico e territorial da população brasileira.
O evento em Brasília também reforçou a importância de campanhas educativas para sensibilizar a sociedade sobre a transformação das políticas públicas e a promoção de um serviço público mais eficiente e igualitário.
A segunda edição do CPNU está prevista para ocorrer em outubro de 2025, com expectativa de ampliar ainda mais a inclusão e os avanços sociais promovidos pela primeira edição.
Por Eduardo Souza
Com Informações: Agência Gov
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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