Pela primeira vez na história dos censos demográficos brasileiros, as uniões consensuais — aquelas sem registro civil ou religioso — superaram os casamentos formais. Segundo o Censo 2022, divulgado pelo IBGE, 38,9% das uniões conjugais no Brasil eram consensuais, o equivalente a 35,1 milhões de pessoas. Em comparação, os casamentos civis e religiosos somaram 37,9%.
Esse fenômeno representa uma mudança gradual ao longo das décadas: em 2000, as uniões consensuais representavam 28,6% e, em 2010, 36,4%. Já os casamentos religiosos e civis, que somavam 49,4% em 2000, vêm perdendo espaço, reflexo de transformações sociais, econômicas e culturais. Em 1960, 60,5% das relações eram formalizadas por casamento civil e religioso, enquanto as consensuais representavam apenas 6,4%.
O levantamento indica que as uniões consensuais são predominantes entre pessoas de até 39 anos e com renda de até um salário mínimo. Elas também são mais frequentes entre pessoas sem religião (62,5%). A união consensual é juridicamente reconhecida como equivalente ao casamento desde decisão do STF de 2017, embora não altere o estado civil.
Ainda segundo o IBGE, mais da metade da população com 10 anos ou mais vive em união conjugal (51,3%). O Censo registrou ainda 34,2 mil crianças de 10 a 14 anos em união conjugal, sendo 77% meninas, dado que requer atenção especial em futuras análises.
Da Redação
Com informações da Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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