Direito à informação: profissionais da imprensa pagam preço alto por garantirem notícia durante a pandemia

Direito à informação: profissionais da imprensa pagam preço alto por garantirem notícia durante a pandemia

Mais de 100 jornalistas em atividade já morreram nos últimos três meses por Covid-19

Jornalistas também estão na linha de frente no combate ao Coronavírus, assim como os médicos, enfermeiros e todos os agentes  de saúde que trabalham exaustivamente na guerra contra o covid-19,  são eles os nossos heróis do cotidiano, outros destemidos são os profissionais de imprensa  da segurança pública e privada, os comerciantes e industriários, todos estes e outros serviços que  são considerados essenciais  de acordo com a medida provisória (nº 926/20) e os  decretos para alterar e regulamentar a Lei nº 13.979/20 – que dispõe sobre o enfrentamento ao COVID-19, de ordem do poder executivo federal.

Segundo a declaração feita  pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, no dia da liberdade de imprensa, destacou o importante trabalho da imprensa no mundo, “Jornalistas e profissionais da mídia são cruciais para nos ajudar a tomar decisões informadas. À medida que o mundo luta contra a pandemia da COVID-19, essas decisões podem fazer a diferença entre a vida e a morte.”

No entanto com a pandemia do coronavírus pelo menos 127 jornalistas em atividade já morreram nos últimos três meses por Covid-19 pelo mundo, segundo a ONG Emblem Press Campaign (PEC).

A PEC, organização que tem como foco a liberdade de imprensa e a segurança para repórteres,  é localizada em Genebra, na Suíça.

Os nomes dos jornalistas que morreram na pandemia podem ser consultados no registro da ONG em seu site oficial, click no link www.pressemblem.ch/

Além dos nomes que estão registrados na ONG/PEC, podemos destacar outros jornalistas brasileiros que perderam a vida pelo coronavírus: José Augusto Nascimento, 57; Robson Thiago Mesquita, 36; Letícia Fava, 28; José Paulo de Andrade, 78;  Uliana Motta, 33; Luis Edgar de Andrade, 88; Rodrigo Rodrigues aos 45 anos.

Um grande número de jornalistas também foram infectados com o novo coronavírus e a pandemia  tem forçado o fechamento temporário de vários meios de comunicação, de acordo com o PEC.

Foto: Divulgação

Presidente está infectado com a covid-19, mas mesmo assim retirou a máscara para falar com os jornalistas

Presidente está infectado com a covid-19, mas mesmo assim retirou a máscara para falar com os jornalistas

ABI entrará com notícia-crime contra Bolsonaro

Crédito: Reprodução

Bolsonaro tira a máscara em coletiva para anunciar que testou positivo para covid-19

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI),  Paulo Jerônimo, informou em nota na terça-feira (8/7) que a entidade vai entrar com uma notícia-crime contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na coletiva de imprensa realizada pelo início da tarde do dia 7 de julho, o presidente Jair Bolsonaro, ao anunciar que estava com Covid-19, chegou a retirar a máscara de proteção.

Segundo a nota da ABI: “Rompendo o isolamento recomendado pelos médicos, recebeu jornalistas de veículos que considera alinhados com suas políticas para informar pessoalmente que está contaminado com o coronavírus. […] Com essa atitude, infringiu o Código Penal, que, em seu artigo 131, que diz: ‘Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio. Pena: reclusão, de um a quatro anos, e multa’. Bolsonaro infringiu também o artigo 132 do mesmo código, que prevê pena de detenção de três meses a um ano para quem expuser ‘a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente’. Não é possível que o País assista sem reação a sucessivos comportamentos que vão além da irresponsabilidade e configuram claros crimes contra a saúde pública”.

Crédito: Reprodução

Bolsonaro recebeu jornalistas de TV Brasil, Record TV e CNN Brasil para anunciar o resultado do exame.

Logo, as emissoras Record e CNN Brasil afastaram os repórteres que estiveram com Bolsonaro.

Em nota, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que controla a TV Brasil, informou que todos os seus profissionais que participaram da transmissão também foram afastados.

Segundo as informações do site UOL, a Record destacou o afastamento de Thiago Nolasco por sete dias como medida de precaução e disse que todos os profissionais que tiveram contato com pessoas infectadas só retornam ao trabalho depois de fazer novo teste.

A CNN também anunciou o afastamento do repórter Leandro Magalhães e de seu cinegrafista, Carlos Alberto de Souza. Eles ficarão isolados por pelo menos sete dias e só retornarão ao trabalho depois do resultado negativo do novo exame.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) enviou um ofício aos veículos de comunicação em que pede a suspensão da cobertura presencial no Palácio do Planto, em Brasília.

No momento do anúncio de que estava contaminado, que foi transmitido ao vivo por uma pequena coletiva de imprensa no Palácio, Bolsonaro tirou a máscara, em certa hora, para falar com os jornalistas, que usavam o adereço de proteção.

Para o infectologista Marcos Boulos, que trabalha no Centro de Contingenciamento de Coronavírus do estado de São Paulo, “Ele provavelmente está passando para outras pessoas”, diz médico, e ainda afirmou que o período de incubação do coronavírus varia de um a quatro dias, podendo chegar até a uma semana para que a pessoa contaminada comece a sentir sintomas.

Desse tempo, o presidente poderia começar a transmitir o vírus sem saber. “Ele [o vírus] começa a ser transmitido um pouco antes dos sintomas estarem claros”, afirma o médico, enfatizando que essas chances são maiores um dia antes dos sintomas sentidos por Bolsonaro. No entanto, o médico observa que não havia essa preocupação por parte do presidente. “Ele provavelmente está passando para outras pessoas, mas ele nunca se isentou de fazer isso.”, diz Boulos.

Informações: Jornalistas e Cia / Site Catraca Livre / UOL / Carta Capital

Nota da redação: esta matéria não reflete a opinião do JORNAL PANORAMA nem de seus colaboradores. As informações aqui retratadas são fatos amplamente divulgados e que temos a missão, como órgão de imprensa, de reportar como aconteceram. Os acontecimentos devem ser retratados como são; evidentemente, opiniões prós e contras surgirão, mas isso faz parte da democracia, que honramos e zelamos.