Minas Gerais inicia 2022 com novo recorde nas exportações do agronegócio

Minas Gerais inicia 2022 com novo recorde nas exportações do agronegócio

Impulsionados por demanda aquecida e valorização das commodities, embarques alcançaram US$ 870 milhões, o maior valor para janeiro desde 1997 

As exportações mineiras do agronegócio somaram US$ 870 milhões em janeiro, crescimento de 49,9% em relação ao mesmo período de 2021. O valor é recorde de performance do mês na série histórica, iniciada em 1997. Em relação ao volume, foram embarcadas 602 mil toneladas, aumento de 12,2%, em relação a janeiro do ano passado. Minas Gerais respondeu por 10% das exportações nacionais de produtos agropecuários. 

Na avaliação da secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini, a manutenção da demanda aquecida está contribuindo para o cenário positivo das exportações do estado. “O preço médio da tonelada dos nossos principais produtos apresentou alta de 33%. Mantido esse cenário, as exportações continuarão favorecidas e poderemos estimar bons resultados para o agronegócio de Minas ao longo do ano”, afirma.  

Em janeiro, os produtos do agro foram enviados para 121 países. Os principais destinos foram Estados Unidos (US$ 137 milhões), Alemanha (US$ 134 milhões), China (US$ 119 milhões), Bélgica (US$ 60 milhões) e Itália (US$ 43 milhões).  

Café 

Principal produto da pauta de exportações do agro mineiro, o café representou 61% do valor total comercializado, em janeiro. O volume exportado foi de 2,4 milhões de sacas, que totalizaram US$ 532 milhões. O café mineiro foi enviado para 67 países, tendo a Alemanha como a principal porta de entrada no exterior. 

Carnes 

As carnes mantiveram boa performance com o registro de US$ 103 milhões e 28 mil toneladas comercializadas. Todas as proteínas (bovina, frango e suíno) apresentaram crescimento em valor (+44,6%) e volume (+22,7%), na comparação com o mesmo período do ano passado.  

O setor bovino liderou as exportações do segmento, impulsionado pela demanda da China, que aumentou as compras em 31% na comparação com o mês de janeiro de 2021.   

Complexo soja 

As exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) totalizaram US$ 80,4 milhões e 133 mil toneladas embarcadas,  com destaque para o desempenho dos grãos, com US$ 57 milhões e 110 mil toneladas. A demanda chinesa foi importante para o resultado e é sustentada pela necessidade do país em disponibilizar alimentos para a população, além de investir na recuperação do seu rebanho suíno, dizimado pela peste suína africana.

Produtos florestais 

A ampliação das vendas de celulose, madeira e papel levaram o segmento a ocupar o 4º lugar da pauta exportadora do agro mineiro, tradicionalmente ocupado pelo complexo sucroalcooleiro. A receita obtida foi de US$ 57 milhões decorrentes das 124 mil toneladas embarcadas.  

Complexo sucroalcooleiro 

O grupo composto por vendas de açúcar de cana, álcool e demais açúcares obteve US$ 55 milhões e 150 mil toneladas. O arrefecimento nas vendas de açúcar está atrelado ao volume reduzido e diminuição do preço médio da commodity no mercado internacional. 

Principais produtos exportados (janeiro 2022) 

Café – Valor: US$ 532 milhões / Volume: 2,4 milhões de sacas 

Carnes – Valor: US$ 103 milhões / Volume: 28 mil toneladas 

Complexo soja – Valor: US$ 80,4 milhões / Volume: 133 mil toneladas 

Produtos florestais – Valor: US$ 57 milhões/ Volume: 124 mil toneladas 

Complexo sucroalcooleiro – Valor: US$ 55 milhões / Volume: 150 mil toneladas 

Fonte: Agência Minas Gerais

Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

Chuvas prejudicam 127 mil produtores rurais no estado

Chuvas prejudicam 127 mil produtores rurais no estado

Um levantamento preliminar feito pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) mostra que, em Minas, 127 mil produtores rurais (número aproximado) sofreram algum tipo de dano por causa das chuvas das últimas semanas. O estudo aponta que a situação foi relatada em 416 municípios do estado (48,7% do total).

Entre os municípios com estimativa de áreas afetadas, a produção de feijão primeira safra foi a mais prejudicada, com 42,2% da área a ser colhida. As regiões Norte, Cerrado, Nordeste, Leste e Central foram as mais atingidas. Já na produção de hortaliças, é estimado comprometimento de 37% da área, principalmente nas regiões Nordeste, Leste e Central de Minas Gerais. A produção de milho (safra verão) tem uma estimativa de 23,3% de área afetada, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Central.

Abastecimento

De acordo com informações coletadas pela Emater-MG na CeasaMinas, até o momento não houve nenhum impacto significativo na disponibilidade de frutas e hortaliças para o mercado atacadista. Porém, em algumas praças da Ceasa no interior do estado, houve redução de produtos como beterraba, mandioca, quiabo e batata-baroa, comercializados nos mercados locais e regionais.

Nos bolsões verdes das regiões metropolitanas, onde se concentra a maior produção de folhosas, ainda há possibilidade de impacto no abastecimento por causa das condições climáticas. A Emater lembra que, no período chuvoso, já é comum ocorrer a redução da área plantada nestes locais.

Há, ainda, alguns pontos de interdição em rodovias que podem prejudicar o escoamento de produtos como morango e batata, principalmente nas regiões Sul e Campo das Vertentes.

Pecuária

Na pecuária leiteira, a estimativa da Emater mostra que, nos municípios prejudicados pelas chuvas, 21,4% da produção de leite foi comprometida, principalmente nas regiões Nordeste, Leste e Central. Uma pesquisa feita pelos técnicos da empresa com 96 laticínios no estado indicou que, em média, a queda na captação de leite foi de 9%, principalmente pela dificuldade de deslocamento em algumas localidades.

Outras atividades que registram possibilidade de dano com as chuvas foram piscicultura (28,3%), avicultura caipira (23,7%), pecuária de corte (17,7%) e suinocultura caipira (15%).

Assistência técnica

“Desde o início das chuvas, em dezembro, os técnicos da Emater estão fazendo o levantamento dessas áreas afetadas e das estradas vicinais com problemas. Todas essas informações são encaminhadas ao Governo do Estado e às prefeituras. Os dados contribuem para a elaboração dos decretos municipais de emergência e a tomada de ações emergenciais. A Emater também está apoiando os produtores rurais no controle fitossanitário das lavouras pois, neste período de chuvas, aumenta a incidência de doenças fúngicas nas plantas. Também damos assistência aos produtores rurais na elaboração de projetos para recuperação de estruturas danificadas nas propriedades rurais”, informa o diretor técnico da Emater-MG, Gelson Soares Lemes.

Ele afirma ainda que os técnicos da empresa elaboram laudos e projetos técnicos para os produtores que precisam obter recursos junto aos agentes financeiros. Outra ação da empresa neste período é o apoio aos agricultores do semiárido mineiro que têm direito ao Garantia Safra, benefício do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O Garantia Safra é pago aos agricultores inscritos, com renda mensal de até um salário mínimo e meio, com plantio entre 0,6 e cinco hectares, e que tiverem perdas comprovadas por estiagem ou excesso de chuva em lavouras como feijão, milho, arroz, mandioca e algodão.

Informaçoes: Agência Brasil

Foto: Emater