As autoridades de saúde da Ilhas Canárias enfrentam uma situação sanitária considerada excepcional após a confirmação de um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação deve chegar nos próximos dias à ilha de Tenerife após registrar oito casos da doença e três mortes durante a viagem.
Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, todas as pessoas que apresentaram sintomas já foram retiradas do navio. Cerca de 140 passageiros permanecem a bordo sem sintomas e em bom estado de saúde. Após avaliação médica em Tenerife, os viajantes serão repatriados para seus países de origem. Entre eles estão 14 espanhóis, que deverão cumprir quarentena no Hospital Gómez Ulla, em Madri.
A unidade hospitalar conta com uma área especializada em isolamento e tratamento de alto nível, criada após a crise do Ebola em 2014. Especialistas afirmam que o período de incubação do hantavírus pode chegar a 45 dias, o que exige monitoramento contínuo dos passageiros.
De acordo com epidemiologistas espanhóis, não há testes capazes de confirmar previamente se pessoas assintomáticas desenvolverão a doença. Por isso, o acompanhamento médico será baseado na observação constante de possíveis sintomas.
Os primeiros sinais da infecção costumam ser semelhantes aos de uma gripe, incluindo febre, mal-estar, dores abdominais e sintomas gastrointestinais. Nos casos mais graves, o vírus pode atingir os pulmões, levando o paciente à necessidade de tratamento intensivo em UTI. Especialistas alertam que a evolução da doença pode ser rápida, ocorrendo entre três e seis dias após o surgimento dos sintomas iniciais.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico para o hantavírus. O atendimento precoce é considerado fundamental para reduzir a taxa de mortalidade, que pode chegar a 50% nos casos graves.
As autoridades sanitárias espanholas afirmam que o risco para a população das Ilhas Canárias é considerado muito baixo. O navio deverá atracar no porto de Granadilla, escolhido por possuir menor circulação de pessoas e menor tráfego marítimo, permitindo maior controle sanitário.
Equipes médicas atuarão utilizando equipamentos completos de proteção individual e protocolos rigorosos de segurança. Especialistas ressaltam ainda que a transmissão entre humanos é extremamente rara e geralmente ocorre apenas em contatos muito próximos e prolongados.
A Organização Mundial da Saúde informou que não há presença de roedores na embarcação, principal vetor da doença. A suspeita é de que os primeiros passageiros infectados tenham contraído o vírus na Argentina antes do embarque.
Mesmo diante da gravidade dos casos registrados, especialistas destacam que o hantavírus é considerado altamente letal, mas pouco contagioso. Segundo epidemiologistas espanhóis, não há risco de epidemia da doença na Espanha.
Após o desembarque dos passageiros, o navio deverá passar por procedimentos de limpeza e desinfecção antes de retomar suas operações.
Da Redação do Jornal Panorama
Foto: Divulgação CDC: Cynthia Goldsmith e Luanne Elliott; e AFP
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