O projeto “Sonia Gomes – Barroco, Mesmo” promove uma reflexão única sobre o legado barroco brasileiro, conectando-o à produção contemporânea da artista mineira Sonia Gomes. Nascida em 1948, em Caetanópolis, Minas Gerais, Gomes é reconhecida por criar obras que dialogam com a memória, a cultura afro-brasileira e as marcas deixadas pela escravidão. Realizado pelo Instituto Tomie Ohtake, o projeto inicia com exposições em Ouro Preto e Salvador, estendendo-se a São Paulo no final do ano, ampliando a interpretação das tradições artísticas do país.
A primeira etapa do projeto acontece no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, de 5 de abril a 5 de julho de 2025. A exposição reúne 25 obras da carreira da artista, complementadas por um programa público com debates e oficinas. Já em Salvador, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia), de 12 de abril a 13 de julho de 2025, os visitantes poderão explorar cerca de 60 criações da artista e registros fotográficos de Lita Cerqueira, retratando Gomes em seu ateliê. A última etapa será realizada no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, de novembro de 2025 a março de 2026, reunindo os aprendizados das mostras anteriores.
Além das exposições, o projeto também lança o livro “Sonia Gomes – Assombrar o Mundo com Beleza”, organizado pelo curador Paulo Miyada. A publicação traz materiais inéditos, como cartas e reproduções de cadernos da artista, além de uma seleção de obras dos últimos 15 anos, aproximando o público do processo criativo de Gomes. O lançamento oficial será no dia 25 de abril, na Casa Iramaia, em São Paulo.
Em Ouro Preto, a programação inclui a mesa-redonda “Tramas da memória”, no dia 4 de abril, às 17h, com a participação de Leda Maria Martins, Eduardo Evangelista e mediação de Ana Paula Silva de Assis. O debate discute a representação dos corpos negros na arte barroca e nas manifestações afro-brasileiras. No mesmo dia, às 19h, a roda de conversa “Conexões Contemporâneas” reúne Gomes, Miyada, Alex Calheiros e a artista mineira Josi. No dia seguinte, às 14h, acontece a oficina “Palavra-semente”, com Mariana Per, voltada para famílias, onde memórias evocadas por palavras se transformam em esculturas, conectando o público à obra de Gomes.
Sonia Gomes reinterpreta o barroco brasileiro, não apenas como um estilo artístico importado da Europa, mas como uma expressão marcada pelo trabalho e pela técnica de africanos e afro-brasileiros. Seus materiais – tecidos, roupas e adereços – são carregados de memórias, e seus gestos de costura transformam essas memórias em formas que interagem com o espaço. Segundo o curador Paulo Miyada, Gomes redefine o barroco, confrontando mitos de pureza e unidade, e estabelecendo-se como uma protagonista dessa narrativa inacabada.
O projeto reafirma o compromisso do Instituto Tomie Ohtake com a diversidade e o diálogo cultural. Com apoio de patrocinadores como Bradesco e Grupo CCR, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, “Sonia Gomes – Barroco, Mesmo” se torna mais que uma exposição, mas um marco na valorização e ressignificação do patrimônio cultural afro-brasileiro.
Por Eduardo Souza
Com Informações e foto: Martim Pelisson / Assessoria de Imprensa | Press Officer
