A Prefeitura de Boa Esperança, em parceria com diversas entidades, realiza o evento Fale Agora, uma capacitação essencial para o enfrentamento da violência doméstica, com foco especial na violência sexual. O objetivo é preparar os espaços públicos de lazer e turismo de Minas Gerais para prevenir e lidar com essas ocorrências de forma eficaz.
O evento é direcionado a gestores e funcionários de bares e restaurantes, redes hoteleiras, lideranças de blocos e escolas de samba, representantes do poder público e integrantes da rede de garantia de direitos. A capacitação busca criar ambientes mais seguros e acolhedores para todos, com a participação ativa de diferentes setores da sociedade.
Os interessados podem se inscrever pelo link: Fale Agora – Inscrição.
Violência doméstica no Brasil:
Estudos recentes apontam dados preocupantes sobre a violência doméstica no Brasil, com base em um levantamento do DataSenado. A pesquisa revelou que três em cada dez mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica provocada por homens. O estudo também mostra que mulheres com menor renda estão mais propensas a ser vítimas de agressões, destacando a importância de políticas públicas mais eficazes para combater esse ciclo de violência.
Estatísticas alarmantes Mais de 25,4 milhões de mulheres brasileiras já viveram alguma situação de violência doméstica em algum momento da vida. Desses casos, 22% ocorreram nos últimos 12 meses. A pesquisa identificou que a violência psicológica é a mais comum, atingindo 89% das vítimas, seguida pela violência moral (77%), física (76%), patrimonial (34%) e sexual (25%).
Violência física e os altos índices entre mulheres de baixa renda Um dado alarmante do estudo é que as mulheres com menor renda são as mais propensas a sofrer violência física. Cerca de 52% das mulheres agredidas afirmaram que a violência foi praticada pelo marido ou companheiro, e 15% apontaram o ex-marido, ex-namorado ou ex-companheiro como agressores. Apesar disso, a pesquisa aponta que uma grande parte das vítimas tem conseguido terminar relacionamentos abusivos, e muitas estão conseguindo sair de namoros violentos.
Medidas protetivas e desafios no acesso à justiça Apesar da crescente busca por ajuda, 48% das mulheres afirmaram que houve descumprimento das medidas protetivas de urgência. Um dos principais obstáculos para a efetividade das medidas de proteção é a falta de delegacias especializadas, especialmente em cidades com menos de 50 mil habitantes. Nessas localidades, muitas mulheres acabam procurando delegacias comuns, o que dificulta o acesso a um atendimento especializado e à denúncia de crimes.
Jovens, o grupo mais vulnerável Outro dado preocupante do levantamento é que muitas vítimas de violência doméstica enfrentam a primeira agressão muito jovens, com 22% das mulheres entre 19 e 24 anos relatando sua primeira experiência de violência nessa faixa etária. Além disso, insultos e ameaças são recorrentes, e 17% das mulheres disseram ter sido vítimas de denunciação caluniosa nos últimos 12 meses.
Esses números demonstram a urgência de políticas públicas voltadas para a prevenção e o combate à violência doméstica, além da necessidade de garantir mais acesso à justiça, especialmente para as mulheres em situações de vulnerabilidade. O fortalecimento de redes de apoio e a criação de mais delegacias da mulher são passos fundamentais para proteger as vítimas e combater esse grave problema social.
Por Graziela Matoso
Fonte e foto: Prefeitura de Boa Esperança/ Senado