Em reunião realizada nesta terça-feira (15 de julho) em Brasília, representantes do setor agropecuário se encontraram com ministros e secretários do governo federal para discutir a imposição de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros pelos Estados Unidos, a ser aplicada a partir de 1º de agosto. Durante o encontro, que contou com a presença dos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, os participantes manifestaram apoio aos esforços do governo federal para reverter a medida. Contudo, também foram expostas as preocupações com as grandes perdas que podem ocorrer caso a taxa se concretize.
O presidente da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, destacou que a taxação inviabilizaria a exportação de carne bovina para os EUA. Segundo ele, vários frigoríficos já suspenderam a produção, mas aproximadamente 30 mil toneladas de carne estão atualmente nos portos ou já embarcadas para o território norte-americano. Perosa sugeriu que o governo busque uma prorrogação do início da taxação ou o retorno à situação anterior, pois a atual alíquota de 36% já representa um grande desafio para o setor.
Em relação à exportação de frutas, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho, compartilhou a apreensão dos produtores de manga. De acordo com Coelho, a safra foi planejada com seis meses de antecedência, e já foram contratados 2,5 mil contêineres para atender às encomendas dos EUA. Ele pediu que os alimentos fossem excluídos da taxação, ressaltando as dificuldades logísticas e os impactos econômicos se as frutas não puderem ser exportadas para o mercado norte-americano.
Os produtores de laranja também expressaram suas preocupações. O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, informou que 40% das exportações de laranja têm os EUA como destino, e 70% do suco de laranja consumido nos EUA é de origem brasileira. Netto acredita que ainda há tempo para negociações e se mostrou confiante de que o governo conseguirá alcançar um bom resultado por meio de diálogo e pragmatismo.
O setor cafeeiro também se fez presente, com a participação do presidente do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Marcio Ferreira. Ferreira afirmou que 33% de todo o café consumido nos Estados Unidos é produzido no Brasil e destacou a superioridade do café brasileiro, que é reconhecido por seu sabor e qualidade. Ele também expressou gratidão ao governo pelas ações realizadas para expandir o mercado brasileiro, reforçando que uma solução benéfica será alcançada para todos os envolvidos.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: Agência Brasil
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Jornal Panorama Minas – Grande Circulação – Noticiando o Brasil, Minas e o Mundo – 50 Anos de Jornalismo Ético e Profissional
