A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu mirar alto – e pagar caro. A confirmação de Carlo Ancelotti como novo técnico da Seleção Brasileira, anunciada nesta segunda-feira (12) trouxe à tona um dado que impressiona e gera debates: o italiano receberá cerca de R$ 5 milhões por mês, um valor sem precedentes na história do comando técnico da equipe canarinho.
A cifra coloca Ancelotti entre os treinadores mais bem pagos do mundo e escancara o desejo da CBF de recolocar o Brasil no topo do futebol mundial a qualquer custo. Trata-se de um investimento que, segundo a entidade, se justifica pela experiência e pelos títulos do treinador multicampeão com Real Madrid, Milan, Chelsea e PSG. Mas a contratação também levanta questões incômodas sobre prioridades, transparência e coerência dentro do futebol nacional.
O salário de Ancelotti contrasta com a realidade de clubes brasileiros mergulhados em dívidas, estádios públicos sucateados e categorias de base muitas vezes negligenciadas. Enquanto isso, a entidade máxima do futebol nacional aposta num nome estrangeiro – e milionário – para resgatar a glória de uma Seleção que não vence uma Copa do Mundo desde 2002.
Além da questão financeira, pesa o simbolismo: ao escolher um técnico europeu a peso de ouro, a CBF envia uma mensagem clara sobre sua visão do futebol brasileiro – uma admissão de que não confia no talento interno para liderar o projeto de reconstrução da Seleção. É um movimento que, ainda que compreensível do ponto de vista estratégico, fere o orgulho de uma escola que formou nomes como Telê Santana, Zagallo, Parreira e Tite, entre outros, além de negligenciar os novos talentos, como Filipe Luis e Rogério Ceni.
Com tamanho investimento, a cobrança será proporcional. Ancelotti chega não só para montar uma equipe competitiva, mas para dar respostas rápidas e concretas. Em um país onde a paixão pelo futebol anda de mãos dadas com a crítica, R$ 5 milhões por mês são mais que um salário: são uma promessa de títulos – e uma fatura que o torcedor não hesitará em cobrar.
Por: Sérgio Monteiro
Com informações de Agências Internacionai – CNN – ESPN –
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