Desde o início de junho, seis cães de São Tiago foram levados para reabilitação em Barbacena, onde perdem o comportamento de liderança da matilha, aprendem a conviver com outros animais e podem ser adotados ou reintegrados à comunidade
A Prefeitura de São Tiago já coloca em prática a lei municipal criada pelo Executivo, que estabelece deveres e responsabilidades tanto para tutores quanto para o poder público em relação aos cães e gatos. O texto prevê que animais comunitários que representem riscos à população sejam encaminhados para uma clínica especializada em reabilitação.
Desde o dia 9 de junho, seis cães foram levados para uma clínica em Barbacena. O objetivo é ressocializar os animais, permitindo que sejam adotados ou que retornem ao convívio social de forma segura. Segundo o secretário municipal de Administração, Marcos Lara, a ação comprova o comprometimento da gestão com a aplicação da legislação criada por ela própria.
“É fato que alguns cães comunitários estavam pondo a população em risco, com ataques às pessoas. Mas essa lei nos possibilitou encaminhar esses animais para o processo de reabilitação, o que permite uma convivência harmoniosa com a sociedade. Agora, esperamos que os tutores também cumpram sua parte, especialmente no que se refere a não deixar os animais soltos, sozinhos, pelas ruas do município”, enfatiza o secretário.
Entre os cães enviados para reabilitação, Brisa, mascote da Prefeitura, ganhou um novo lar na última sexta-feira (27) e já retornou a São Tiago. Agora sob a guarda de um novo tutor, Brisa deixa de fazer parte das estatísticas de cães abandonados que causam problemas no município.
“Durante muito tempo, convivemos com a Brisa. Mas ela se tornou territorialista, ameaçando outros cães e pessoas que se aproximavam do prédio da Administração. Mesmo assim, temos muito carinho por ela e estamos bastante felizes com o fato de ela ter encontrado uma família que vai abraçá-la com responsabilidade e amor”, ressalta Lara.
Liderança reabilitada
O processo de reabilitação dos cães exige dedicação e acompanhamento especializado. Segundo a médica veterinária Janete Campos, da clínica de Barbacena, o ponto central é retirar o instinto de liderança que alguns cães desenvolvem nas ruas.
“Em toda matilha, sempre há um líder, como acontece com os lobos. O cão que exerce essa liderança domina um território e pode acabar exagerando. Às vezes, ele morde pessoas ou outros cães que tentam chegar naquele mesmo ambiente e ainda tem aqueles que atacam motos e carros. Se observar, são sempre os mesmos animais que causam esses problemas, porque o líder tende a continuar dominando o seu território de forma inadequada”, explica a veterinária.
Uma das estratégias, segundo Janete, é afastar o animal do território onde ele exerce liderança. “O fato de já retirar cada um da sua liderança lá na rua já os deixa um pouco mais vulneráveis, por terem perdido esse controle que exerciam em seu território”, afirma.
Após essa etapa, os cães passam pelo processo de ressocialização. “Sob supervisão, colocamos os cães com animais que vêm de lugares diferentes e estimulamos um convívio pacífico. No início, utilizamos guias para que eles não se ataquem e, por meio de comandos de voz, vamos conduzindo essa integração. Brinca com um, brinca com outro, damos carinho, até eles aceitarem ficar juntos”, conta.
Posse responsável
Uma vez reabilitados, os cães são disponibilizados para adoção, que é chamada de posse responsável pela clínica. “A pessoa assina um termo de responsabilidade sobre o animal, de não o deixar ir para a rua, garantir alimentação, vacinação e vermifugação. Ela também se compromete, caso tenha algum problema com esse animal, a nos procurar novamente, sem simplesmente passá-lo para frente ou abandoná-lo”, reforça Janete.
A veterinária destaca o caso bem-sucedido da parceria entre a clínica e a Prefeitura de Resende Costa. “Dos inúmeros animais enviados pela Cidade das Lajes, apenas dois não foram adotados, um deles por ter graves sequelas de cinomose e que acabou retornando para o município. Essa turma de São Tiago que chegou faz quase um mês, eu já vou começar a postar fotos para conseguir a adoção”, afirma.
A lei municipal determina que as despesas de reabilitação sejam custeadas pela Prefeitura, com valor de R$ 600 por animal por mês. A prefeitura pode enviar até oito cães por vez. Caso o tutor do animal seja localizado, ele será responsabilizado pelos custos do tratamento e, se não pagar, terá o nome inscrito na dívida ativa do município.
O programa de reabilitação dos cães comunitários em São Tiago representa um passo importante na construção de uma convivência mais segura entre humanos e animais. Ao transferir os cães para clínica especializada e promover a posse responsável, a Prefeitura cria alternativas eficazes para o bem-estar animal e para a proteção da população. O desafio agora é ampliar a conscientização para que os tutores cumpram seu papel, evitando novos abandonos e garantindo um futuro mais harmonioso nas ruas do município.
Fonte e fotos: Prefeitura de São Tiago
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