A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, ocorridas entre novembro e dezembro do ano passado. O caso levou à prisão de três ex-técnicos de enfermagem, suspeitos de envolvimento direto nos óbitos.
As investigações apontam que um dos técnicos, de 24 anos, teria aplicado medicamentos inadequados e até desinfetante em pacientes, sem autorização médica. Em um dos casos, uma professora aposentada de 75 anos recebeu aplicações de desinfetante dez vezes no mesmo dia, por meio de seringa, após apresentar sucessivas paradas cardíacas.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito também teria se aproveitado do sistema do hospital aberto no login de um médico para prescrever um medicamento incorreto, retirar o produto na farmácia da unidade e aplicá-lo em três pacientes diferentes, sem consultar a equipe médica. Duas dessas aplicações ocorreram em 17 de novembro, e a terceira em 1º de dezembro.
As autoridades informam que, após as aplicações, o técnico realizava massagens cardíacas nas vítimas, numa tentativa de reanimação que, segundo os investigadores, poderia servir para dissimular a autoria dos crimes.
Piora súbita levantou suspeitas
Segundo a diretora do Instituto Médico Legal (IML), Márcia Reis, os pacientes apresentavam quadros clínicos distintos, mas em todos os casos houve uma piora súbita, o que chamou a atenção da equipe hospitalar e dos investigadores. A análise das câmeras de segurança da UTI indicou que os medicamentos eram administrados justamente nos momentos de agravamento do estado de saúde das vítimas.
As três pessoas que morreram são:
- uma professora aposentada de 75 anos, moradora de Taguatinga;
- um servidor público de 63 anos, do Riacho Fundo I;
- um servidor público de 33 anos, de Brazlândia.
A família do servidor de 63 anos informou, por meio de nota, que acreditava inicialmente que a morte havia ocorrido por causas naturais. Somente em 16 de janeiro foi comunicada sobre a investigação e a suspeita de crime.
Prisões e novas apurações
As prisões ocorreram no dia 11 de janeiro, quando a Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. Uma segunda fase da operação foi deflagrada no dia 15, com apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
A Polícia Civil ainda apura se há outros casos semelhantes, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades de saúde onde o técnico de 24 anos teria atuado.
Posição do hospital e do CRM
Em nota, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas aos óbitos, instaurou comitê interno de investigação, que em menos de 20 dias reuniu evidências encaminhadas às autoridades. A instituição afirmou que solicitou a abertura do inquérito policial, demitiu os ex-funcionários envolvidos e comunicou as famílias, prestando esclarecimentos. O hospital declarou ainda que colabora integralmente com as investigações e destacou que o caso corre sob segredo de justiça.
O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) informou que tomou conhecimento dos fatos e irá adotar as providências cabíveis para apurar eventual responsabilidade médica, ressaltando que os procedimentos seguem sob sigilo, conforme o Código de Ética Médica.
Família cobra responsabilização
A família do servidor de 63 anos manifestou indignação e pesar, afirmando que a UTI deveria ser um ambiente de proteção à vida. Os familiares disseram confiar nas investigações da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário e informaram que irão buscar a responsabilização criminal dos envolvidos, além de medidas na esfera civil, caso sejam confirmadas falhas no dever de cuidado e segurança.
O caso segue sob investigação e é tratado como um dos episódios mais graves já registrados na área da saúde privada do Distrito Federal.
Fonte e foto: Polícia Civil
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