Uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, nesta quinta-feira (22), quinze pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema milionário de fraude bancária. Entre os detidos estão quatro gerentes e dois ex-gerentes de instituições financeiras, apontados como peças-chave da organização criminosa.
De acordo com as investigações, os gerentes identificavam CPFs e CNPJs de clientes com bom histórico de crédito. Em seguida, os dados eram repassados ao chefe do esquema, que contratava falsificadores para produzir documentos fraudulentos. As informações das vítimas eram usadas para abrir contas bancárias falsas, com a participação de pessoas que se passavam por clientes. As contas serviam para contratação de empréstimos, cujos valores eram sacados e divididos entre os integrantes da quadrilha.
A estimativa é que mais de 100 clientes tenham tido seus dados utilizados indevidamente, resultando em um prejuízo superior a R$ 20 milhões aos bancos. Apesar de não arcarem diretamente com as dívidas, as vítimas tiveram seus nomes negativados, o que gerou impactos emocionais e financeiros, como destacou o delegado Rafael Gomes:
“Elas não sofreram o prejuízo econômico do empréstimo em si. Há um desgaste emocional. Além da negativação do seu cadastro. Ela não consegue comprar. Então, é um prejuízo psicológico.”
Em um dos depoimentos, um gerente preso revelou que, em apenas quatro meses, chegou a abrir 40 contas, recebendo 10% de comissão por cada uma.
A Justiça já determinou o bloqueio de 97 contas bancárias ligadas a pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento. Durante as diligências, os policiais apreenderam documentos, computadores e celulares em endereços na capital mineira e no interior do estado.
Os bancos envolvidos se manifestaram por meio de notas. O Banco do Brasil afirmou que colaborou com as investigações, mas não divulgará mais informações para não comprometer o trabalho da polícia. O Santander garantiu ter mecanismos eficazes para detectar condutas suspeitas, protegendo seus clientes. Já o Itaú Unibanco disse repudiar comportamentos antiéticos e confirmou apoio às autoridades. A Federação Brasileira de Bancos também se posicionou, reforçando a parceria com as forças de segurança no combate a fraudes.
As acusações contra os suspeitos incluem estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação e uso de documentos falsos.
Com informações do G1
