Durante uma entrevista concedida ao final de julho para uma biografia ainda não lançada, o papa Leão XIV criticou duramente os pacotes de remuneração corporativa que garantem a executivos salários desproporcionais em relação ao restante dos funcionários. A fala, divulgada neste domingo, 14 de setembro, ganhou repercussão ao mencionar diretamente o plano bilionário de remuneração oferecido pela Tesla a Elon Musk.
O pontífice destacou a crescente desigualdade nas estruturas salariais das grandes corporações. “CEOs que há 60 anos poderiam estar ganhando de quatro a seis vezes mais do que os trabalhadores estão recebendo 600 vezes mais (agora)”, declarou Leão XIV. Em referência direta ao presidente-executivo da Tesla, ele completou: “Ontem (houve) a notícia de que Elon Musk será o primeiro trilionário do mundo. O que isso significa e do que se trata? Se essa é a única coisa que tem valor, então estamos em um grande problema.”
A fala do papa norte-americano — eleito em maio pelos cardeais do mundo para suceder Francisco — marca um posicionamento firme em relação às prioridades econômicas globais. Leão XIV tem adotado uma postura mais reservada em comparação com seu antecessor, preferindo utilizar textos preparados em vez de conceder entrevistas com frequência. Os trechos da conversa foram divulgados pelo site de notícias católicas Crux.
Além das críticas ao modelo econômico, o pontífice também comentou sobre a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU), manifestando ceticismo em relação à sua eficácia atual. “A Organização das Nações Unidas deveria ser o lugar onde muitas […] questões são tratadas. Infelizmente, parece ser geralmente reconhecido que a Organização das Nações Unidas, pelo menos neste momento, perdeu sua capacidade de reunir as pessoas em questões multilaterais”, afirmou.
Com vasta experiência missionária no Peru, Leão XIV relatou que, ao assumir o papado, sentia-se mais preparado para questões espirituais do que para exercer um papel diplomático no cenário global. “O aspecto totalmente novo deste trabalho é ser lançado ao nível de líder mundial. Estou aprendendo muito e me sentindo muito desafiado, mas não sobrecarregado”, declarou.
O posicionamento do papa reflete uma preocupação crescente com os rumos da política econômica internacional e a capacidade das instituições multilaterais em promover equilíbrio, justiça e cooperação. Ao destacar a concentração de riqueza e a perda de efetividade da ONU, Leão XIV se apresenta como uma liderança disposta a provocar reflexões profundas sobre o futuro das relações sociais e internacionais.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: CNN – Brasil
Imagem: Vaticano News – Mídia
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