Durante uma década, o bancário palestino Shady Salama Al-Rayyes pagou US$ 93 mil pela hipoteca de seu apartamento em um edifício moderno da Cidade de Gaza. O imóvel foi destruído por um ataque israelense em 5 de setembro, que transformou a Torre Mushtaha, de 15 andares, em escombros. Desde então, Al-Rayyes e sua família vivem na miséria, como centenas de outros desabrigados.
O ataque marcou o início de uma intensificação da campanha militar israelense voltada à demolição de edifícios altos em bairros densamente povoados da Cidade de Gaza, antes de uma ofensiva terrestre. De acordo com o exército israelense, até 20 prédios de apartamentos foram destruídos nas últimas duas semanas, sob a alegação de serem utilizados pelo Hamas. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que 50 “torres terroristas” foram demolidas.
Moradores relataram que bairros como Zeitoun, Tuffah, Shejaia e Sheikh al-Radwan foram alvos de arrasamento pelas forças israelenses. Imagens de satélite confirmam os danos em Sheikh al-Radwan desde agosto. O Escritório de Direitos Humanos da ONU (ACNUDH) alertou que a destruição em massa pode representar uma tentativa deliberada de expulsar permanentemente a população local, o que poderia ser caracterizado como limpeza étnica.
Israel nega ter uma estratégia de destruição generalizada e afirma que o objetivo é eliminar o Hamas e recuperar reféns. O exército alega que prédios altos são usados como postos de observação e ataque pelo grupo islâmico, além de conter armadilhas. O Hamas, por sua vez, nega o uso de torres residenciais para fins militares.
Da Redação com informações da CNN Brasil.
Foto; 2025 Planet Labs PBC
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