O Governo Federal, em parceria com a prefeitura de Recife, iniciou os primeiros atendimentos de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) por uma operadora de plano de saúde, na quinta-feira, 14 de agosto de 2025. O atendimento ocorre no Hospital Ariano Suassuna, unidade da Hapvida, operadora privada considerada a maior da América Latina, com unidades próprias nas cinco regiões do país.
A ação faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, que visa ampliar a assistência especializada e reduzir o tempo de espera no SUS. O programa utiliza um mecanismo inovador: a conversão de dívidas de ressarcimento ao SUS por parte dos planos de saúde em atendimento direto a pacientes. Essas dívidas são geradas quando a rede pública realiza procedimentos que deveriam ser feitos pelas operadoras contratadas. A iniciativa não gera custo adicional para o sistema público e prevê a conversão de até R$ 1,3 bilhão por ano em serviços especializados, conforme a demanda apresentada por estados e municípios. A Hapvida é a primeira operadora a aderir ao programa.
Durante o lançamento da iniciativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanharam o início dos atendimentos em Recife. Padilha destacou o caráter histórico da ação: “Um marco histórico que vamos acompanhar e que o presidente Lula vai presenciar é o primeiro paciente do SUS que será tratado dentro de um hospital de plano de saúde. Por meio do programa Agora Tem Especialistas, mecanismo criado pela medida provisória do presidente Lula, nós estamos trocando dívidas que planos de saúde tinham com o SUS – e que nunca eram pagas – em mais cirurgias, mais atendimentos e mais exames, como ressonância e tomografia”.
A primeira etapa da operação contempla oito pacientes – uma criança de oito anos, cinco mulheres e dois homens entre 23 e 67 anos – que realizarão quatro tipos de procedimentos: duas cirurgias de artroplastia de quadril com colocação de próteses, duas cirurgias de vesícula, duas tomografias e duas ressonâncias magnéticas. Entre os beneficiados está Marilete Augusto Valério Santos, de 67 anos, empregada doméstica e moradora de Recife. Ela relatou a emoção ao saber que faria o exame de ressonância magnética para investigar dores no quadril: “Fazia três meses que eu esperava esse exame. Quando disseram que era amanhã, eu respondi: ‘pode ser qualquer dia, qualquer hora!’”.
A adesão ao programa Agora Tem Especialistas é voluntária. As operadoras interessadas devem solicitar participação por meio da plataforma InvestSUS, informando os serviços disponíveis. O Ministério da Saúde cruza essas ofertas com as demandas do SUS nos estados e municípios. Se aprovadas, os contratos são firmados e os serviços especializados passam a ser disponibilizados. Os pacientes continuam acessando a rede pública pelas Unidades Básicas de Saúde e, se necessário, são encaminhados para atendimento especializado, que pode ocorrer em hospitais das operadoras, sem custo adicional para o cidadão.
A oferta de serviços deve atender às prioridades do programa em seis áreas: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia, além de mais de 1,2 mil cirurgias. O mínimo de oferta previsto é de R$ 100 mil por mês, podendo ser reduzido para R$ 50 mil em operadoras de menor porte, especialmente em regiões com demanda não plenamente atendida.
Ainda em Recife, o ministro Alexandre Padilha anunciou R$ 15,3 milhões para ampliar o tratamento oncológico no estado. Os recursos serão destinados ao Hospital Português de Beneficência, unidade credenciada ao SUS. O hospital receberá um novo acelerador linear, adquirido com recursos do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), no valor de R$ 10,3 milhões, dobrando a capacidade instalada para atendimento em radioterapia. A unidade passará a operar em três turnos, inclusive à noite.
Além disso, serão destinados R$ 2,6 milhões para ampliar o número de pacientes atendidos no setor de radioterapia e haverá um repasse anual de R$ 2,4 milhões integrado ao teto de Média e Alta Complexidade (MAC) do estado. Padilha também anunciou a integração do Hospital Português de Beneficência com a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do hospital público Barão de Lucena, permitindo que pacientes do SUS sejam atendidos pelas estruturas e profissionais dos dois estabelecimentos, especialmente no tratamento radioterápico.
A iniciativa representa um avanço na articulação entre o setor público e privado, com foco na ampliação da assistência especializada e na redução das filas de espera do SUS, promovendo mais agilidade e qualidade no atendimento à população.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: Agência Gov
Imagem: João Risi/MS
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