O dia 29 de setembro de 2025 ficará gravado na memória dos brasileiros, especialmente para os amantes do jornalismo esportivo. Paulo Soares, o “Amigão”, nos deixou aos 63 anos, após uma longa luta contra complicações de saúde. Seu falecimento, depois de meses de internação e sofrimento, deixa um vazio irreparável, mas também um legado que jamais será esquecido. Sua carreira, repleta de feitos memoráveis e sua postura inconfundível, fazem de Paulo Soares um ícone que transcende a tela da televisão.
1. Início de uma carreira brilhante
A jornada de Paulo Soares no mundo do jornalismo começou em um momento de sua vida em que poucos poderiam imaginar que ele se tornaria um dos maiores nomes da comunicação no Brasil. Aos 15 anos, em 1978, Paulo iniciou sua trajetória na Rádio Clube de Araras, cidade do interior paulista. O jovem, ainda sem saber, começava a plantar as sementes de uma carreira sólida que o levaria a grandes emissoras de rádio e televisão. Sua energia e seu amor pela profissão o impulsionaram para outras grandes rádios, como a Rádio Gazeta, Record, Globo e Bandeirantes, até chegar à ESPN, onde se consolidaria como um dos maiores apresentadores e narradores esportivos do país. Não seria exagero afirmar que, para muitos, seu nome ficou indissociável à história da ESPN Brasil, especialmente com o programa SportsCenter, o carro-chefe da emissora.
2. A marca do SportsCenter
Foi na televisão, no comando do SportsCenter, que Paulo Soares realmente se tornou uma lenda. Desde sua estreia no programa, sua dupla com Antero Greco ganhou notoriedade, tornando-se uma das mais queridas do jornalismo esportivo brasileiro. O programa, criado para cobrir as Olimpíadas de Sydney em 2000, consolidou-se como um marco na cobertura esportiva nacional. Ali, Soares e Greco mostraram que o jornalismo esportivo não precisava ser apenas sério e técnico – ele poderia ser envolvente, descontraído, divertido. Paulo conseguia equilibrar, como poucos, a responsabilidade de trazer a informação precisa com o bom humor, as tiradas rápidas e o carisma que o tornaram uma figura querida por milhões de telespectadores.
O “Amigão”, como ficou carinhosamente conhecido, se tornou um ícone não apenas pela competência e profundidade nas análises esportivas, mas pela forma como cativava o público. Acompanhá-lo na tela da televisão era como estar com um amigo próximo, alguém com quem se podia contar para entender o esporte, mas também para se divertir com suas piadas e risadas. O programa SportsCenter estava no ar todos os dias, oferecendo aos brasileiros um momento de descontração e informação. E, para muitos, aquele foi o “refresco” no meio de um dia árduo.
3. O “Amigão” fora da tela: um amigo de verdade
Paulo Soares não era apenas o “Amigão” na televisão; ele também o era na vida real. Um amigo leal, generoso, sempre disposto a ajudar. O apelido não era uma mera imagem de marca, mas sim uma tradução fiel de quem ele realmente era: alguém que estava sempre pronto para apoiar os outros, para fazer o bem, para se doar. Não é à toa que seus colegas de profissão destacaram sua humanidade. Antero Greco, seu eterno parceiro de SportsCenter, descrevia Paulo como alguém que era exatamente o que mostrava para o público. “O que ele é aqui nas telas, também lá fora”, disse Greco, reafirmando que o “Amigão” nunca disfarçou sua verdadeira essência. Outros colegas enfatizaram que ele foi, por onde passou, uma unanimidade – uma figura que todos amavam, que jamais cometeu um ato de grosseria ou desrespeito, e cuja ética profissional era inquestionável.
A amizade de Paulo Soares com seus colegas de profissão é uma história à parte. Muitos jornalistas, como Luiz Roberto e Mauro Cezar Pereira, tiveram histórias pessoais de apoio de Paulo, o que reforça a ideia de que ele não era apenas uma grande referência no jornalismo, mas um amigo verdadeiro e incansável. Luiz Roberto, por exemplo, relatou que Paulo o ajudou quando perdeu o último ônibus em uma noite. O gesto simples, mas significativo, simboliza o tipo de pessoa que Paulo era: um ser humano generoso, que se preocupava com os outros. Mauro Cézar limitou-se a proferir uma pequena frase, contudo, recheada de profundo significado e emoção: “Foi uma honra estar ao teu lado”.
4. Uma dupla imbatível: Paulo Soares e Antero Greco
A parceria entre Paulo Soares e Antero Greco é um dos maiores legados do jornalismo esportivo brasileiro. Por mais de 20 anos, os dois estiveram à frente do SportsCenter, uma das produções mais queridas da televisão. Juntos, formaram uma dupla incomparável, que equilibrava perfeitamente a seriedade do jornalismo esportivo com momentos de leveza e descontração. Essa sintonia, marcada pela cumplicidade e respeito mútuo, criou uma química que encantava os telespectadores.
O humor refinado e a personalidade calorosa de Paulo, aliada à competência e precisão de Antero Greco, se tornaram uma fórmula imbatível. Assistir ao programa era como uma pausa revigorante no dia, um alívio no meio do turbilhão de informações e preocupações cotidianas. O bom humor de Paulo nunca ultrapassava os limites da seriedade do esporte, mas sempre criava um ambiente de camaradagem que fazia com que o público sentisse que estava na companhia de amigos.
5. O legado de Paulo Soares
Paulo Soares foi muito mais que um jornalista. Ele foi um mestre, um mentor, um amigo. O “Amigão” conquistou o coração dos brasileiros não apenas pelo que fazia, mas pelo modo como fazia. Sua humildade, sua generosidade e seu compromisso com a verdade sempre estiveram à frente da fama e do sucesso. Ele será lembrado não apenas por sua competência profissional, mas por seu caráter irrepreensível e por ser um exemplo de profissionalismo e humanidade para toda uma geração de jornalistas e telespectadores.
O legado de Paulo Soares vai além das ondas do rádio e da televisão. Ele permanece no exemplo de como é possível unir seriedade e descontração, competência e empatia, nas mais diversas situações da vida. O “Amigão” será sempre lembrado por sua capacidade de tornar o jornalismo mais acessível, mais humano, e, acima de tudo, mais leve. Paulo Soares, sem dúvida, será eterno em nossos corações, e sua história será transmitida para as próximas gerações como um exemplo de como ser um grande jornalista e, acima de tudo, um grande ser humano.
Por Eduardo Souza
Imagem: EspnBrasil/Instagram
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