A missão empresarial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos Estados Unidos foi concluída com avaliação positiva por parte do presidente da entidade, Ricardo Alban, em Washington (4). Segundo ele, os encontros realizados abriram espaço para negociações que podem contribuir para reduzir ou flexibilizar as tarifas impostas às exportações brasileiras.
Ricardo Alban classificou a missão como bem-sucedida, embora tenha ressaltado que o trabalho continua. De acordo com o dirigente, a atuação da CNI representa um esforço de diplomacia empresarial, com o objetivo de facilitar negociações voltadas à redução de tarifas, concessão de exceções e abertura de novas oportunidades comerciais.
Durante os três dias de atividades, a comitiva composta por 130 empresários, dirigentes de federações estaduais e líderes de associações industriais dos setores mais afetados pelo tarifaço participou de reuniões com parlamentares, representantes do governo norte-americano, empresários locais e com a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Cecília Ribeiro Viotti.
Entre os temas apresentados pela CNI aos norte-americanos estão projetos de produção de Combustível Sustentável da Aviação (SAF), uso da energia renovável brasileira para data centers e exploração de minerais críticos e terras raras. Segundo Alban, esses segmentos representam interesses mútuos e podem gerar oportunidades relevantes para ambos os países.
O embaixador Roberto Azevêdo, consultor da CNI, representou a entidade na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que investiga práticas comerciais brasileiras. Ele destacou a importância do setor privado na construção de pontes com as congêneres americanas e na identificação de sinergias entre os setores produtivos dos dois países.
Dados da CNI revelam que as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos afetam cerca de US$ 33 bilhões das exportações brasileiras, abrangendo 6 mil produtos. O impacto atinge todos os setores da indústria de transformação, com exceção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis.
A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é considerada estratégica, com mais de dois séculos de parceria. Nos últimos dez anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 91,2 bilhões no comércio de bens com o Brasil, valor que chega a US$ 256,9 bilhões quando incluídos os serviços. Mais de 70% das importações brasileiras dos EUA estão livres de tarifas, beneficiando setores como petróleo, fertilizantes e aviação. Em 2024, 11 estados norte-americanos importaram mais de US$ 1 bilhão em produtos brasileiros, com destaque para Califórnia, Flórida, Texas e Nova Iorque.
Entre 2013 e 2023, os Estados Unidos foram o principal destino de projetos greenfield brasileiros, com 142 implantações produtivas anunciadas. Esses investimentos reforçam a relevância da parceria bilateral.
O setor de máquinas e equipamentos é um dos mais afetados pelas tarifas, especialmente pela alíquota de 50% imposta pelos EUA. Patrícia Gomes, diretora-executiva de Mercado Externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), afirmou que a tarifa atual já inviabiliza as exportações, gerando suspensão de contratos, revisões e postergações de entregas.
A Abimaq tem atuado em duas frentes: buscar medidas junto ao governo brasileiro, como linhas de crédito, capital de giro e postergação de tributos, e manter o diálogo com autoridades americanas para tentar reduzir as alíquotas. Patrícia Gomes reforçou que o objetivo é garantir competitividade ao setor e viabilizar o comércio com os Estados Unidos.
A participação na missão organizada pela CNI é vista pela Abimaq como uma oportunidade de aproximação com o setor privado norte-americano, parlamentares e autoridades. A entidade considera essa ação como o início de uma série de esforços necessários para restabelecer uma relação comercial produtiva entre os dois países.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: Brasil 61
Imagem: Agência de Notícias da Indústria
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