Minas Gerais deu início neste sábado, 27 de setembro, ao seu primeiro Exercício Simulado de Atendimento a Foco de Febre Aftosa, em uma ação coordenada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) com o apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O município de Montes Claros, no Norte do Estado, foi escolhido como sede da simulação, que vai até o dia 3 de outubro.
O principal objetivo é comprovar a capacidade técnica e operacional de resposta do Estado a uma possível emergência sanitária. A iniciativa reforça o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação, conquistado pelo Brasil em 2024 e reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em maio deste ano.
Como será o simulado
A simulação, apesar de ser uma situação fictícia, seguirá protocolos reais de contenção da doença. Estão previstas ações como:
- Notificação oficial da suspeita pelo ministério;
- Identificação clínica de possíveis casos;
- Coleta de material biológico;
- Isolamento da propriedade onde o “foco” foi detectado;
- Vistorias em propriedades localizadas em um raio de até 10 quilômetros;
- Rastreamento da movimentação de animais.
Além disso, serão realizadas blitze de trânsito sanitário, com desinfecção de veículos que tenham transitado por áreas consideradas “potencialmente contaminadas”. Todas as ações serão educativas, com distribuição de materiais informativos aos motoristas abordados.
“Essas blitze são todas educativas. O fiscal vai parar, informar que é um exercício simulado, fazer a entrega de material e realizar a desinfecção dos veículos para evitar essa contaminação cruzada”, explicou a diretora-geral do IMA, Luiza de Castro.
Quem participa
Mais de 220 profissionais estão envolvidos diretamente no exercício. Participam equipes compostas por:
- Médicos veterinários;
- Policiais militares e rodoviários;
- Corpo de Bombeiros;
- Defesa Civil;
- Servidores da Prefeitura de Montes Claros;
- Técnicos da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa);
- Representantes do Ministério da Agricultura.
Segundo o IMA, o resultado da simulação será registrado oficialmente junto à OMSA, como parte das ações do Plano Estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Vigilância da Febre Aftosa (PNEFA).
Confiança e credibilidade internacional
Para a diretora-geral do IMA, o exercício é essencial para manter a confiança dos mercados internacionais e abrir novas oportunidades de exportação.
“Mercado é confiança. Precisamos mostrar que temos plena condição de atender a um eventual foco de febre aftosa, restringir a disseminação do vírus e dar segurança aos acordos comerciais”, afirmou Luiza de Castro.
Investimentos e tecnologia
Desde 2019, o Governo de Minas já investiu cerca de R$ 70 milhões na área de defesa agropecuária, sendo R$ 1 milhão destinados exclusivamente a este simulado.
Os recursos vêm sendo aplicados em infraestrutura, capacitação de equipes e aquisição de tecnologias modernas. Segundo Luiza, o exercício utilizará ferramentas desenvolvidas especificamente para emergências sanitárias, auditadas internacionalmente.
“Esse investimento em inovação é fundamental para garantir rastreabilidade, transparência e capacidade de resposta em situações de crise”, destacou a diretora.
Compromisso com a sanidade animal
Minas Gerais não registra casos de febre aftosa desde 1996. Com o reconhecimento internacional de zona livre sem vacinação, o Estado e o país se comprometem a manter alta vigilância e preparo técnico para enfrentar qualquer ocorrência da doença.
O simulado representa, portanto, mais do que um treinamento técnico. É uma demonstração de responsabilidade sanitária, reforçando o papel de Minas Gerais como protagonista na produção agropecuária nacional e confiável parceiro comercial no cenário internacional.
Com informações do Estadão Agro/ foto: IMA/Divulgação
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