A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) iniciou, nesta segunda-feira (6/10), a Campanha de Multivacinação 2025, que segue até 31 de outubro. O Dia D de mobilização será no sábado, 18/10. O objetivo da ação é atualizar a caderneta de vacinas, reduzir os riscos de doenças imunopreveníveis e fortalecer a proteção coletiva.
Segundo o subsecretário de Vigilância Epidemiológica da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, o público prioritário são crianças e adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias, mas todas as pessoas devem levar a caderneta de vacinação para conferência nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
“Nas unidades estão disponíveis vacinas como BCG, hepatite B, poliomielite, rotavírus, meningocócica C, febre amarela, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e HPV, além dos reforços previstos em diferentes idades”, explicou Prosdocimi.
Investimentos e estratégias para ampliar o acesso
O subsecretário destacou que o Programa Mineiro de Imunizações já investiu quase meio bilhão de reais em ações para facilitar o acesso às vacinas, como a vacinação em escolas e os vacimóveis — veículos adaptados que funcionam como salas de vacinação itinerantes.
“Em 2025, já aplicamos mais doses do que em todo o ano passado. E, durante a campanha, nossa expectativa é ampliar ainda mais essa cobertura”, afirmou.
Somente os vacimóveis já atenderam pelo menos 240 municípios e aplicaram mais de 195 mil doses, com 243 unidades em operação.
Desde 2023, o Estado já destinou R$165 milhões para estimular os municípios a realizar ações de vacinação em escolas, creches e outros espaços comunitários.
Além da ampliação da rede, a SES-MG aposta na capacitação de profissionais de saúde. Em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e universidades mineiras, são promovidos cursos, oficinas e qualificações voltadas aos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Crie).
Vacinação é segurança e confiança
Os profissionais de saúde reforçam que as vacinas são seguras e eficazes. A enfermeira Fernanda Cristina, do Serviço de Atenção à Saúde do Viajante em Belo Horizonte, lembra que “as vacinas passam por rigorosos testes de segurança e previnem doenças graves, como sarampo, poliomielite, tétano, HPV e meningite”.
A confiança também é destacada pelos responsáveis. Em Belo Horizonte, a enfermeira Saratiele levou a filha Lara, de 10 anos, para se vacinar contra a dengue.
“Me sinto segura ao saber que, vacinando minha filha, também protejo outras crianças das formas graves de várias doenças”, contou.
Em Diamantina, Adriana Gomes levou a filha de sete meses para se vacinar contra a covid-19:
“Mantenho a caderneta sempre atualizada, porque a vacina protege não apenas quem recebe, mas todos ao redor. Vacinar é um ato de cuidado e de amor.”
Recuperação das coberturas vacinais em Minas
A campanha ocorre em um contexto de recuperação das coberturas vacinais no estado. Dados parciais de 2025 apontam que Minas Gerais já aplicou mais de 11 milhões de doses, superando o total de 2024.
Com investimentos, inovação e parceria dos municípios, a SES-MG reforça que a multivacinação é uma oportunidade para atualizar o cartão, proteger cada pessoa e reduzir o risco de circulação de doenças. Quanto mais gente vacinada, menor a chance de surtos.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI)
A política nacional de vacinação é responsabilidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973 pelo Ministério da Saúde. O PNI é considerado uma das mais eficazes estratégias de saúde pública do país e garante, gratuitamente, 47 imunobiológicos no Sistema Único de Saúde (SUS) — sendo 30 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas.
Esses imunobiológicos incluem vacinas de rotina, vacinas para grupos especiais, como pessoas com HIV ou doenças crônicas, e também vacinas específicas, como a COVID-19.
O calendário nacional de vacinação contempla 19 vacinas de rotina, que protegem o indivíduo em todas as fases da vida — desde o nascimento até a terceira idade. Entre as doenças imunopreveníveis estão poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche e outras doenças graves e potencialmente fatais.
O Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, coordena as campanhas anuais de vacinação, com o objetivo de garantir alta cobertura vacinal e proteção coletiva.
Como se vacinar e a importância do cartão de vacinação
Qualquer pessoa pode se vacinar gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o país. Basta apresentar o cartão de vacinação. Caso o documento tenha sido perdido, é possível solicitar a segunda via na unidade onde as vacinas foram aplicadas ou pedir um novo cartão em outra unidade.
A ausência do cartão não impede a vacinação, mas ele é o registro oficial da situação vacinal e deve ser guardado com outros documentos pessoais.
Por que vacinar é essencial
As vacinas foram responsáveis, nas últimas décadas, por um aumento de cerca de 30 anos na expectativa de vida da população. A mortalidade infantil, que antes superava 20%, caiu para níveis próximos a um dígito em boa parte do Brasil, principalmente devido à disponibilização de água potável e às campanhas de vacinação.
A imunização é uma das principais intervenções em saúde pública, pois salva vidas, reduz hospitalizações e previne sequelas causadas por doenças como pneumonia, meningite, diarreia e hepatite.
Segurança e eficácia das vacinas
As vacinas passam por estudos controlados e monitoramento contínuo antes e depois de serem disponibilizadas à população. Nenhum programa de saúde oferece vacinas que apresentem riscos superiores aos benefícios.
Os efeitos adversos são geralmente raros, leves e passageiros, enquanto os benefícios da prevenção são incomparavelmente maiores.
Por que as coberturas vacinais caíram?
A queda nas coberturas vacinais no Brasil começou antes da pandemia, mas foi agravada pela COVID-19 em 2020. Diversos fatores explicam o cenário, como dificuldade de acesso, horários inflexíveis nas UBS, questões de mobilidade e a influência das fake news.
Entretanto, o maior desafio é a baixa percepção de risco. Com a erradicação de várias doenças, muitas pessoas não se sentem mais ameaçadas e deixam de buscar a imunização.
“O que pesa nesta queda é a baixa percepção de risco. As pessoas não convivem mais com o temor de décadas passadas, quando era comum ver crianças com sarampo ou paralisia. Se conhecessem essas doenças, certamente superariam todos os obstáculos para vacinar”, avaliam os especialistas.
Fake news e o retorno de doenças erradicadas
Embora as fake news tenham contribuído para a desconfiança em torno de vacinas recentes, como as de COVID-19 e HPV, o problema maior é a falta de informação sobre os riscos da não vacinação.
O sarampo, por exemplo, voltou a circular após anos de erradicação, justamente devido à queda na cobertura vacinal. Outras doenças, como rubéola, paralisia infantil e difteria, também podem retornar se a imunização não for mantida em níveis adequados.
“O que move as pessoas a procurarem uma vacina é a percepção de risco. Quando o perigo parece distante, a adesão diminui. Mas as doenças ainda existem e podem voltar se não estivermos protegidos”, alertam os profissionais de saúde.
Vacinar é um ato de amor e responsabilidade coletiva
A Campanha de Multivacinação 2025 reforça o compromisso de Minas Gerais e do Brasil com a proteção da saúde pública. Atualizar o cartão de vacinação é proteger a si mesmo, sua família e toda a comunidade.
A vacinação salva vidas e continua sendo uma das formas mais seguras e eficazes de prevenir doenças e garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações.
Por Graziela Matoso/ com informações do SES-MG/ Fundação ABRINQUI/ Gov.br/ foto: Freepik
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