O Carnaval deveria ser sinônimo de liberdade, mas para a maioria das brasileiras, a festa vem acompanhada de vigilância constante. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada nesta quarta-feira (11), revela que 80% das mulheres têm medo de sofrer assédio durante os dias de folia. O dado é baseado em uma realidade dura: 47% das entrevistadas — quase metade — afirmam já ter sido vítimas de violência sexual em carnavais passados.
O estudo aponta que o assédio limita o direito ao lazer. Para se proteger, as mulheres deixam de agir com espontaneidade e passam a adotar estratégias de sobrevivência, como evitar certos horários, planejar rotas específicas e nunca andar sozinhas.
A persistência de pensamentos machistas
A pesquisa também mediu o grau de concordância com frases que buscam “justificar” agressões. Os dados mostram que os homens ainda têm uma percepção distorcida sobre consentimento:
- Roupa indica intenção? 23% dos homens acreditam que o traje da mulher indica vontade de beijar (contra 13% das mulheres).
- Beijo “roubado”: 12% dos homens acham aceitável beijar à força uma mulher alcoolizada durante a festa.
- Solidão como convite: 28% dos homens pensam que quem pula Carnaval sozinho está obrigatoriamente “querendo alguém”.
Responsabilidade Coletiva
Apesar dos números preocupantes, há um sinal de esperança: 86% dos brasileiros concordam que combater o assédio é uma responsabilidade de toda a sociedade, não apenas das vítimas. Além disso, 96% reconhecem a importância das campanhas educativas, como a que a Polícia Civil de Minas Gerais está realizando com o lema “Depois do não, é crime, uai!”.
Para a diretora do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê, o foco precisa mudar: “O problema não é das mulheres, é da sociedade. Precisamos que os homens mudem de atitude para que o espaço público seja de todos”.
Da Redação do Jornal Panorama
Com informações de: Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão
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