O Ministério da Saúde oficializou nesta quinta-feira, 12 de junho, a construção do Hospital Universitário da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que será instalado no município de Mariana (MG). A iniciativa foi confirmada com a assinatura do Protocolo de Intenções pelo ministro Alexandre Padilha e faz parte de um conjunto de ações do Novo Acordo da Bacia do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal em 6 de novembro de 2024.
O novo hospital contará com investimento de R$ 220 milhões e atuará como centro de referência do Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais, com estrutura voltada a atendimentos de média e alta complexidade, formação de profissionais de saúde e redução da demanda de deslocamento de pacientes para outras cidades. A unidade integrará o programa Agora Tem Especialistas, voltado à ampliação do acesso a serviços especializados nas regiões atingidas pelo desastre da Barragem de Fundão, ocorrido em 2015.
O acordo que viabiliza o hospital faz parte de um pacote de R$ 12 bilhões que serão pagos pelas empresas Vale, Samarco e BHP Billiton, destinado a ações de saúde e pesquisa em áreas afetadas pelo rompimento da barragem. O valor representa um avanço substancial em relação à proposta anterior de 2016, que previa R$ 750 milhões.
Durante o anúncio, o ministro Alexandre Padilha destacou que o objetivo é oferecer atendimento qualificado à população e permitir que moradores atingidos se tornem profissionais de saúde atuantes no próprio território. Entre os projetos que funcionarão na nova unidade está o Centro de Referência para Atendimento e Monitoramento da Exposição às Substâncias Químicas, voltado à investigação clínica e laboratorial de doenças associadas à contaminação química. Também será criado o Biobanco do Rio Doce, responsável por coletar e monitorar amostras biológicas da população exposta, garantindo o acompanhamento contínuo dos impactos à saúde.
Além da construção do hospital, o Ministério da Saúde destinará R$ 400 milhões adicionais em 2025 para a implantação de, pelo menos, 60 novas unidades de atendimento, entre elas Unidades Básicas de Saúde (UBS), Policlínicas, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Odontológicas Móveis e reforço nas equipes do SAMU nos municípios atingidos.
Também foram aprovados os Planos de Ação em Saúde elaborados pelos municípios de Mariana, Ouro Preto, Barra Longa e Rio Doce, condição exigida para o recebimento dos recursos previstos no acordo. Com a formalização desses planos, foram liberados:
- R$ 139,8 milhões para Mariana;
- R$ 14,9 milhões para Ouro Preto;
- R$ 12,5 milhões para Barra Longa;
- R$ 2,4 milhões para Rio Doce.
Ao todo, os quatro municípios receberão cerca de R$ 170 milhões para custeio e investimentos em saúde pública.
O Governo Federal projeta aplicar R$ 825 milhões até o final de 2026 em ações voltadas à ampliação da infraestrutura de saúde, qualificação da gestão e fortalecimento das equipes de atendimento nos territórios diretamente afetados pelo rompimento da barragem, com foco na reparação e no restabelecimento dos direitos da população.
Por Eduardo Souza
Com informações: Agência Gov
Foto: Ricardo Stuckert/PR
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