O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou na manhã deste domingo para Nova York, onde participará da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece entre os dias 22 e 24 de setembro.
Como é tradição desde 1947, o Brasil abrirá os discursos da Assembleia Geral na manhã de terça-feira, 23 de setembro, seguido pelos Estados Unidos. Esta será a primeira vez que Lula e Donald Trump, atual presidente norte-americano, estarão no mesmo espaço desde o retorno do republicano à Casa Branca. Apesar disso, não há previsão de encontro reservado entre os dois líderes, segundo fontes do governo brasileiro.
A viagem ocorre em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, em meio a tarifas comerciais e sanções políticas impostas pelo governo Trump. Desde 6 de agosto, está em vigor uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados aos EUA. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky — legislação americana que impõe restrições financeiras a indivíduos acusados de violações de direitos humanos.
De acordo com justificativas apresentadas pelo governo Trump, as sanções e tarifas estão relacionadas à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado. Moraes, que relatou o processo, foi diretamente implicado pelas medidas unilaterais norte-americanas.
Fontes diplomáticas informaram que nem Lula convidou Trump para reuniões bilaterais, nem o republicano manifestou intenção de conversar com o presidente brasileiro. A ausência de diálogo direto reflete o clima atual entre os dois governos, que mantêm posições divergentes em temas como política internacional, democracia e direitos humanos.
Na semana que antecedeu a viagem, houve dificuldades para emissão de vistos a membros da comitiva presidencial, o que provocou cancelamentos de agendas oficiais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu autorização para entrar nos Estados Unidos, porém com restrições de circulação em Nova York, limitadas a um perímetro de cinco quarteirões entre o hotel e a sede da ONU. Diante da limitação, Padilha cancelou sua participação em compromissos oficiais, incluindo uma reunião da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), prevista para ocorrer em Washington.
As restrições impostas pelos EUA a membros do governo brasileiro também alcançaram dois envolvidos na implantação do programa Mais Médicos, lançado em 2013 durante o governo de Dilma Rousseff, com coordenação do Ministério da Saúde sob gestão de Padilha.
Apesar dos entraves, Lula viaja com a documentação regularizada e deve chegar a Nova York ainda neste domingo. A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, desembarcou na última quinta-feira, 18 de setembro, para participar de eventos paralelos, especialmente os relacionados à COP30.
Na segunda-feira, 22 de setembro, o presidente deve acompanhar a Semana do Clima de Nova York, evento preparatório para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em Belém, no Pará. Lula também participará de uma reunião internacional sobre a questão palestina, marcada para o mesmo dia.
Na quarta-feira, 24 de setembro, Lula se junta a líderes de aproximadamente 30 países no evento “Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo”, também realizado em Nova York. A iniciativa, liderada pelo Brasil, conta com o apoio dos presidentes Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai).
Diferente da edição anterior do evento, em que os Estados Unidos participaram sob o governo do democrata Joe Biden, a atual versão não contará com representação americana. A decisão de excluir os EUA foi tomada em comum acordo entre os países organizadores. De acordo com a avaliação do governo Lula, a presença dos Estados Unidos seria incoerente diante das atuais tensões bilaterais e das sanções impostas por Trump. Para os articuladores do encontro, o governo americano não se enquadra na proposta de enfrentamento ao extremismo político que guia o evento.
A agenda presidencial em Nova York deverá fortalecer a imagem do Brasil como defensor da democracia, da sustentabilidade e do multilateralismo, ao mesmo tempo em que evidencia o distanciamento político com os Estados Unidos sob a nova administração republicana.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: CNN – Brasil
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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