O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por videoconferência nesta segunda-feira, 6 de outubro, com o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa, que durou cerca de meia hora, foi realizada no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Internacionais) e Sidônio Palmeira (Secom).
O encontro entre os dois presidentes foi inicialmente anunciado por Trump durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, e aconteceu em um momento delicado para as relações comerciais entre os dois países, com a implementação de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, conhecida como tarifaço. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos discursou logo após Lula, e ambos se cumprimentaram brevemente, expressando um interesse em manter o diálogo. Trump afirmou que houve uma boa “química” entre eles, o que foi confirmado por Lula, que declarou que “aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu”.
Embora a conversa tenha sido um passo importante para a aproximação entre os líderes, auxiliares de Lula indicaram preferência por um primeiro contato mais informal, por telefone ou videoconferência, antes de agendar uma reunião presencial. Esse formato permitiria que ambos os presidentes tirassem dúvidas sobre pontos de convergência e divergência, principalmente nas negociações comerciais, e começassem a estabelecer uma relação de confiança mútua.
A relação entre Lula e Trump tem sido marcada por desafios desde a eleição do ex-presidente norte-americano, e o trabalho diplomático brasileiro tem sido cauteloso e discreto. O histórico de Trump, com frequentes mudanças de posição, gera receios de que as conversas possam ser prejudicadas por influências internas no governo dos EUA. Trump, que implementou o tarifaço em resposta ao governo de Jair Bolsonaro, viu suas ações afetadas pelo processo legal contra o ex-presidente brasileiro, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe, entre outros crimes.
Lula, por sua vez, reforçou em suas falas na ONU que a independência do Judiciário brasileiro e a soberania do país não são temas a serem questionados por ninguém, mas deixou claro que está aberto ao diálogo sobre questões comerciais com os Estados Unidos. Entre os principais pontos de interesse para os norte-americanos estão a regulação de big techs e a exploração de terras raras no Brasil, questões que podem se tornar pautas importantes nas futuras negociações.
O tarifaço, que começou com a imposição de sobretaxas progressivas a produtos brasileiros, culminou em uma taxa de 50% sobre cerca de 36% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, com início em 6 de agosto. Trump justificou o aumento das tarifas, mencionando um suposto déficit comercial com o Brasil, embora números oficiais indiquem que esse déficit não existe. Além disso, o presidente norte-americano também levantou questões políticas relacionadas ao governo de Bolsonaro, como o processo judicial contra o ex-presidente e alegações sobre a liberdade de expressão nos Estados Unidos.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: G 1
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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