Na segunda-feira (31), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou seu relatório anual sobre as barreiras comerciais ao redor do mundo, e o Brasil foi incluído entre os países com políticas protecionistas que, segundo o documento, prejudicam os exportadores norte-americanos. O 2025 National Trade Estimate Report on Foreign Trade Barriers (NTE) aponta diversas práticas brasileiras que, segundo os EUA, dificultam o comércio bilateral e poderiam justificar a imposição de tarifas adicionais sobre produtos de diferentes países, incluindo o Brasil.
Com 397 páginas, o relatório menciona 47 países e a União Europeia (UE) como bloco, destacando as principais barreiras enfrentadas pelos exportadores dos EUA no comércio internacional. No caso do Brasil, o relatório aponta oito principais obstáculos que dificultam o fluxo comercial, afetando setores como etanol, cachaça e produtos eletrônicos, que são classificados pelos Estados Unidos como práticas “desleais”.
O governo norte-americano argumenta que as políticas adotadas pelo Brasil estão em desacordo com as normas comerciais internacionais e podem ser prejudiciais ao interesse comercial dos EUA. Entre os pontos destacados estão as taxas de importação, as restrições a investimentos estrangeiros, e as normas ambientais e sanitárias que, segundo o relatório, não são compatíveis com as exigências do comércio livre e justo.
Em relação ao etanol, por exemplo, os Estados Unidos apontam a imposição de tarifas elevadas sobre as importações do produto brasileiro como uma barreira significativa ao comércio. A cachaça, tradicional bebida brasileira, também foi mencionada por enfrentar dificuldades para acesso ao mercado norte-americano devido a normas de rotulagem e regulamentações que, segundo o relatório, dificultam a concorrência e favorecem produtos locais.
Além disso, os produtos eletrônicos brasileiros foram incluídos na lista de itens que enfrentam restrições excessivas. O relatório sugere que as políticas comerciais adotadas pelo Brasil em relação a esses produtos representam obstáculos significativos ao comércio bilateral, prejudicando os interesses das empresas americanas.
O documento também observa que, embora o Brasil tenha feito progressos em alguns aspectos de sua política comercial, muitos desses obstáculos continuam a impactar as relações comerciais entre os dois países.
Com as informações: CNN Brasil
Foto: Aaron Kittredge
