Em ação deflagrada nesta terça-feira, 24 de junho, as Polícias Civis de Rondônia (RO) e do Paraná (PR) deram início à Operação Falso 9, com o objetivo de desmantelar um esquema milionário de estelionato que mirava jogadores de futebol de clubes brasileiros e uma instituição financeira, utilizando fraudes na portabilidade de salários. Entre os atletas atingidos estão Gabigol, atualmente no Cruzeiro, e o argentino Walter Kannemann, do Grêmio. A fraude resultou em desvios que ultrapassam R$ 1 milhão, com apenas R$ 135 mil bloqueados preventivamente.
A investigação teve início em janeiro deste ano, após o setor de prevenção à fraude de um banco identificar irregularidades em processos de portabilidade salarial. O grupo criminoso atuava com documentos falsos e dados pessoais de atletas, abrindo contas bancárias em nome dos jogadores e solicitando a transferência de seus salários para as contas falsas. Os valores recebidos eram rapidamente transferidos para outras instituições, usados em compras ou sacados em caixas eletrônicos, dificultando o rastreamento. Os beneficiários identificados incluíam empresas sediadas em Cuiabá (MT) e Porto Velho (RO), além de indivíduos que movimentaram juntos mais de R$ 287 mil.
No total, foram cumpridos 33 mandados judiciais, sendo 22 de busca e apreensão domiciliar, nove de prisão preventiva e dois de prisão temporária. As ações ocorreram nas cidades de Almirante Tamandaré (PR), Curitiba (PR), Cuiabá (MT), Porto Velho (RO) e Lábrea (AM), com o envolvimento de mais de cem policiais civis. A operação contou com apoio das Polícias Civis do Amazonas e do Mato Grosso. A operação é coordenada pelas 1ª e 2ª Delegacias de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Rondônia, com o suporte do Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná.
De acordo com a delegada Simone Barbieri, da Polícia Civil de Rondônia, a ação evidencia a importância da união entre forças de segurança, setor privado e sociedade para combater fraudes cibernéticas. Já o delegado Thiago Pereira Lima, do Paraná, destacou que a integração entre corporações estaduais é essencial no enfrentamento de crimes digitais, que não respeitam fronteiras. A operação também integra o esforço do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), para intensificar o combate às fraudes eletrônicas no país.
A nomenclatura da operação remete à função tática do futebol conhecida como “falso 9”, termo usado para descrever uma movimentação estratégica e enganosa. A escolha do nome alude ao artifício usado pelos golpistas, que se passaram por atletas para efetuar as fraudes. Os investigados poderão responder por estelionato com uso de meio eletrônico (Art. 171, §2-A), falsa identidade (Art. 307), uso de documento falso (Art. 304), organização criminosa (Lei nº 12.850/2013) e lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998), crimes que somam até 33 anos de reclusão e aplicação de multas.
As investigações prosseguem para identificar e responsabilizar outros integrantes da quadrilha, além de rastrear o destino final dos valores desviados. O Ministério da Justiça reforçou seu compromisso no enfrentamento a fraudes financeiras e reiterou a importância da denúncia de qualquer tentativa de golpe por parte da população.
Com informações: CNN e Ministério da Justiça e Segurança Pública
Imagem: Cruzeiro /Instagram
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