O avanço do agronegócio sobre o Cerrado brasileiro tem alimentado uma série de debates entre crescimento econômico, concentração fundiária e os impactos socioambientais. Reconhecido como “berço das águas” do país, por abrigar nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas nacionais, o bioma já perdeu 47,9% de sua vegetação nativa, segundo o Mapbiomas. O desmatamento, principalmente para expansão agropecuária, pressiona o ecossistema e compromete a segurança hídrica do Brasil.
A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentra as maiores taxas de devastação. Segundo o Tribunal Permanente dos Povos (TPP), empresas e Estados são responsáveis por um processo de “ecocídio” no Cerrado, impactando também os povos tradicionais, que sofrem com a expulsão de seus territórios.
Economistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) destacam que o agro empresarial concentra poder econômico e político, com forte apoio estatal por meio de incentivos fiscais e crédito subsidiado. Em 2025, o Plano Safra destinou R$ 516,2 bilhões ao setor, frente a R$ 89 bilhões para a agricultura familiar. Apesar de representar até 25% do PIB nacional, a atividade é criticada por gerar poucos empregos diretos, concentrar renda e estar ligada à grilagem de terras.
Ainda assim, representantes do setor afirmam que o agronegócio é essencial ao desenvolvimento de regiões pobres. No Maranhão, produtores apontam que a atividade levou emprego e renda ao sul do estado. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presente na COP30, defende o agro como parte da solução climática, desde que exercido dentro da legalidade ambiental.
O governo federal reconhece os riscos ambientais e afirma que trabalha para orientar o setor à sustentabilidade, com iniciativas como o projeto Ecoinvest e a criação das Áreas Prioritárias para Conservação de Águas do Cerrado (APCACs). Já ambientalistas cobram limites à expansão da fronteira agrícola e alertam para retrocessos legislativos em discussão no Congresso.
Da Redação
Com informações da Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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