Instituição desempenha papel estratégico no Brasil e no mundo, consolidando-se como um centro de excelência científica e de saúde.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comemorou, em 2025, 125 anos de história. Fundada inicialmente como o Instituto Soroterápico Federal, a instituição tem sido um pilar na ciência e na saúde pública, com contribuições essenciais no Brasil e internacionalmente. Com unidades e escritórios espalhados por todo o país, a Fiocruz é reconhecida como uma das principais referências biomédicas da América Latina e do mundo. O presidente Mario Moreira detalhou a trajetória, os principais avanços, os desafios enfrentados pela instituição e os projetos voltados para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliação do acesso à saúde.
Os marcos mais significativos dos 125 anos da Fiocruz
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destaca que a instituição teve seu início em 1900, quando o Instituto Soroterápico Federal foi criado na Fazenda de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Desde então, a Fiocruz tem sido um símbolo da ciência e da saúde pública no Brasil, sempre integrando pesquisa, educação, inovação tecnológica e produção de bens e serviços. Durante a gestão de Oswaldo Cruz, a instituição tornou-se um marco na luta contra a peste bubônica e outras epidemias. Em 1909, Carlos Chagas descreveu a doença de Chagas, um feito que consolidou ainda mais a Fiocruz no campo da pesquisa científica.
Nos anos seguintes, a instituição desempenhou papel decisivo na organização da saúde pública no Brasil, contribuindo para a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública em 1920 e, nas décadas seguintes, influenciando diretamente na criação do Ministério da Ciência e da Saúde, além de ser fundamental na luta por um SUS efetivo nas décadas de 1980 e 1990. Também em 1987, a Fiocruz isolou pela primeira vez o HIV-1 na América Latina, marcando uma vitória importante na luta contra a Aids.
Recentemente, a instituição também se destacou no enfrentamento da pandemia de Covid-19, com a produção de vacinas e imunizantes, além de sua atuação como centro de referência internacional em saúde global.
Desafios para manter a excelência
Para Mario Moreira, os principais desafios enfrentados pela Fiocruz são manter sua tradição enquanto instituição inovadora. “Conciliar tradição e inovação” é uma das metas da instituição, que visa garantir a continuidade do legado de pioneirismo na ciência, ao mesmo tempo em que se prepara para os desafios do futuro. A falta de investimentos no setor de ciência e tecnologia e os cortes de verbas no Brasil também representam obstáculos significativos. A pandemia de Covid-19 evidenciou, ainda, as desigualdades entre países com ou sem capacidade científica e tecnológica.
Além disso, o Brasil enfrenta um novo perfil epidemiológico, com o aumento de doenças crônicas e o envelhecimento da população. Com isso, surgem novos desafios para o SUS e para a saúde pública brasileira, exigindo maior foco em doenças não transmissíveis, como diabetes e hipertensão.
A experiência da Fiocruz na pandemia de Covid-19
A atuação da Fiocruz durante a pandemia de Covid-19 consolidou ainda mais a sua relevância no cenário global. Mario Moreira relembra que, quando a pandemia atingiu o Brasil, a Fiocruz estava completando 120 anos e imediatamente acionou todo o seu sistema integrado de pesquisa, educação, serviços e produção. A Fiocruz foi responsável pela produção de vacinas 100% nacionais, além de contribuir com o desenvolvimento de tecnologias para a produção em larga escala de imunizantes. A instituição também assumiu um papel central na disseminação de informações sobre o coronavírus e no apoio a políticas públicas de enfrentamento da pandemia.
Além disso, a Fiocruz foi designada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como laboratório de referência nas Américas, tornando-se um centro fundamental na resposta à pandemia.
Preparação para futuras emergências sanitárias
Mario Moreira destacou que a Fiocruz tem se preparado para futuros desafios sanitários e emergências globais com ações concretas. Uma das iniciativas mais importantes é a modelagem e análise de dados, como o InfoGripe, que oferece previsões sobre doenças respiratórias e arboviroses. A Fiocruz também participa ativamente na vigilância sanitária e em pesquisas voltadas para doenças emergentes, como a febre oropouche e a gripe aviária.
Além disso, a instituição tem investido em novas tecnologias e plataformas de vacinas, incluindo a tecnologia de RNA mensageiro, uma inovação que está sendo desenvolvida para criar vacinas mais eficazes e acessíveis.
A Fiocruz e o fortalecimento do SUS
A Fiocruz tem se dedicado, também, ao fortalecimento do SUS, ampliando a produção de serviços e produtos voltados para a saúde pública no Brasil. Um exemplo disso foi o lançamento, durante a pandemia, do “Plano Fiocruz de Enfrentamento à Covid-19 nas Favelas”, que contou com o apoio de diversas universidades e organizações sociais. O plano visava combater os efeitos da pandemia nas comunidades vulneráveis do Rio de Janeiro, incluindo ações de prevenção, capacitação e apoio a projetos de base comunitária.
Outra ação importante foi o projeto “Conexão Saúde: de olho na Covid”, que se transformou no programa “146 vezes Favela”, financiado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Este projeto tem expandido seu alcance, com a inclusão de mais territórios e a promoção de saúde em comunidades que enfrentam desigualdades.
Inovações tecnológicas e científicas
A Fiocruz, sempre na vanguarda da ciência, lançou recentemente a Rebec@, uma inteligência artificial para o registro de pesquisa clínica, considerada a primeira do mundo com esse propósito. Além disso, a instituição segue investindo em novas tecnologias para vacinas e medicamentos, incluindo vacinas baseadas em RNA mensageiro e terapias celulares e genéticas.
Em relação ao ensino, a Fiocruz mantém um compromisso constante com a formação de profissionais de saúde, oferecendo cursos de pós-graduação, qualificação profissional e uma plataforma de ensino a distância com mais de 900 mil alunos matriculados.
Ao longo de sua trajetória de 125 anos, a Fiocruz consolidou-se como uma referência mundial em ciência e saúde pública, atuando de forma estratégica não apenas no Brasil, mas também em outros países, principalmente no Sul Global. Seu compromisso com a inovação, com a formação de profissionais qualificados e com o fortalecimento do SUS é uma garantia de que continuará a desempenhar um papel central no enfrentamento de desafios sanitários futuros, sempre pautada pela solidariedade e pela busca pela equidade no acesso à saúde.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: Fiocruz
Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
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