Durante seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS nesta segunda-feira, 6 de outubro de 2025, o empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti optou por permanecer em silêncio após responder a perguntas feitas pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). O advogado de Cavalcanti, Thiago Machado, informou que a partir daquele momento, o empresário não responderia mais às perguntas, alegando seu direito de não se incriminar.
Cavalcanti, ex-sócio do advogado Nelson Willians – um dos investigados no esquema de descontos fraudulentos em mensalidades de aposentados e pensionistas –, foi alvo da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A operação investiga a fraude envolvendo descontos irregulares nas aposentadorias e pensões do INSS. Em seu depoimento, o empresário negou qualquer envolvimento no esquema, alegando não ser “laranja” e desconhecer as atividades ilícitas de Willians e Maurício Camisotti, apontados como os principais operadores da fraude.
Patrimônio de luxo
Durante a investigação, a PF apreendeu diversos bens de alto valor de Cavalcanti, incluindo mais de 20 veículos de luxo, como uma Ferrari avaliada em R$ 4,5 milhões, uma réplica de um carro de Fórmula 1, além de motos e relógios de luxo. O empresário alegou que os veículos são de sua empresa e foram adquiridos de forma lícita, com alguns ainda em financiamento. Ele também explicou que os carros estavam guardados em um shopping de Brasília, prática comum na região.
A investigação também revelou que Cavalcanti possuía uma adega de vinhos avaliada em mais de R$ 7 milhões. Ao ser questionado sobre a evolução de seu patrimônio, o empresário afirmou que antes de se associar a Willians, trabalhava na Assembleia Legislativa de São Paulo, recebendo cerca de R$ 5 mil mensais. Em 2025, afirmou que não sabia a exata quantia de seu patrimônio, mas que todas as informações estavam declaradas em seu Imposto de Renda.
Reação da CPMI
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, criticou a explicação de Cavalcanti, afirmando que ele não conseguiu justificar a origem de sua riqueza, especialmente após sua mudança para Brasília e a aquisição de bens luxuosos. Gaspar ressaltou que as movimentações financeiras de Cavalcanti e sua ligação com Willians e Camisotti levantam suspeitas sobre o envolvimento do empresário em um esquema criminoso.
Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, também se manifestou, afirmando que a defesa de Cavalcanti está utilizando a comissão para montar uma estratégia. Segundo Viana, é difícil acreditar que alguém que ganhava R$ 5 mil por mês em São Paulo tenha adquirido um patrimônio tão grande de forma legítima. Ele ressaltou que a Polícia Federal investiga Cavalcanti como um suposto “laranja”, com evidências que indicam que ele não tem lastro financeiro para justificar seus bens.
Máfia do INSS
O presidente da CPMI classificou Cavalcanti como parte de uma “máfia” que envolvia políticos, servidores públicos e outras autoridades, com o objetivo de corromper e tomar controle de recursos do INSS. A quadrilha teria utilizado suas conexões políticas para operar de maneira impune, realizando grandes movimentações financeiras e criando uma rede de favores políticos.
A CPMI também aguarda a resposta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, sobre a reavaliação de um habeas corpus concedido a Maurício Camisotti, outro investigado. Camisotti, ao contrário de Cavalcanti, tem o direito de não depor na CPMI, mas sua presença é considerada crucial para a investigação.
Investigações sobre a AMBEC
A operação também investiga a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC), que teria sido controlada por “laranjas” ligados a Camisotti. As contribuições dos associados à AMBEC saltaram de R$ 135 em 2021 para R$ 14,9 milhões em 2022, chegando a R$ 91 milhões em 2023, conforme os dados da investigação.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: Agência Brasil
Imagem: Lula Marques/Agência Brasil
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