A Justiça de Minas Gerais determinou a pena de 25 anos e três meses de prisão em regime fechado para um ex-prefeito de Itanhomi, no Vale do Rio Doce. A decisão atende à denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que responsabilizou o réu, de 82 anos, por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio de outras duas pessoas e participação em organização criminosa. Devido ao seu estado de saúde, ele cumpria prisão preventiva em regime domiciliar.
O crime aconteceu em 2011, quando o ex-prefeito, conforme apurado, teria encomendado o assassinato de um suspeito de furto em sua propriedade. A emboscada, organizada por um grupo conhecido como “Família”, terminou na morte do irmão da suposta vítima, por engano, e deixou outros dois indivíduos feridos. Três autores da ação criminosa foram detidos em uma cidade próxima ao tentarem fugir após o ataque.
A “Família” era composta por fazendeiros, empresários, agentes públicos, policiais civis e militares, envolvidos em diversos crimes como corrupção, concussão, extorsão e homicídios por encomenda. As reuniões do grupo tinham como finalidade planejar crimes com o intuito de consolidar domínio e impor obediência à comunidade local, sob ameaça de morte a quem contrariasse seus interesses.
As investigações, conduzidas com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), também revelaram fraudes no julgamento dos executores em 2013. Houve tentativa de manipulação do júri e intimidação de testemunhas, o que levou o MPMG a recorrer e obter a anulação da sentença. Em novo julgamento, a ação foi desmembrada, e outros acusados ainda serão levados a julgamento.
Por: Eduardo Souza
Com informações e foto: Ministério Público de Minas Gerais
