Em um esforço diplomático urgente, chanceleres europeus se reúnem nesta sexta-feira (20), em Genebra, com representantes do governo iraniano para tentar restabelecer o diálogo sobre o programa nuclear do país, enquanto os Estados Unidos avaliam apoiar Israel em possíveis novos ataques. A movimentação marca uma tentativa do chamado grupo E3 – composto por Reino Unido, França e Alemanha – de evitar o colapso definitivo do acordo nuclear de 2015 e conter o risco de um conflito maior no Oriente Médio.
O encontro com o vice-chanceler iraniano Abbas Araqchi acontece em um cenário tenso, dias após a “Operação Leão Ascendente”, lançada por Israel contra instalações nucleares e de mísseis do Irã em 12 de junho. A ofensiva, classificada por Teerã como uma agressão direta, provocou o rompimento das negociações diretas entre iranianos e norte-americanos.
Enquanto o governo dos Estados Unidos, sob influência crescente do secretário de Estado Marco Rubio, considera entrar formalmente no conflito ao lado de Israel, os diplomatas europeus tentam manter a via da negociação aberta. “Os iranianos não podem se sentar com os americanos, mas podem conosco”, declarou um diplomata europeu. “Estamos pressionando para que retornem à mesa antes que o pior aconteça.”
Diplomacia sob pressão
O retorno do diálogo ocorre no mesmo local onde, em 2013, começou a ser negociado o acordo nuclear que limitou o programa atômico iraniano em troca do fim de sanções econômicas. Desde então, o pacto sofreu reveses, especialmente após a saída unilateral dos EUA, em 2018. Agora, com os ataques israelenses e as crescentes tensões regionais, os riscos de uma escalada militar estão no centro das preocupações europeias.
Autoridades envolvidas nas tratativas não demonstram grande otimismo quanto a avanços concretos em Genebra. No entanto, alertam que o engajamento com o Irã é essencial. “Mesmo que a guerra termine, o programa nuclear iraniano seguirá como uma ameaça não resolvida. O conhecimento não pode ser apagado, e isso pode permitir uma reconstrução clandestina”, explicou um diplomata da União Europeia.
Caminho estreito entre diplomacia e sanções
Além das conversas diretas com o Irã, as potências europeias têm articulado medidas formais para aumentar a pressão internacional. Na semana passada, com apoio dos EUA, aprovaram uma resolução no Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirmando que o Irã violou obrigações de não proliferação. O próximo passo pode ser o encaminhamento do caso ao Conselho de Segurança da ONU.
Diplomatas indicam que o E3 considera o fim de agosto como prazo final para acionar o chamado “mecanismo de reimposição” das sanções previstas no acordo de 2015. Essa medida, se adotada antes de 18 de outubro, quando expira o pacto original, poderá reativar punições multilaterais ao Irã.
Teerã, por sua vez, reage com firmeza à possibilidade. “O Irã continua comprometido com a diplomacia como único caminho para resolver disputas – mas a diplomacia está sob ataque”, afirmou uma autoridade iraniana, que também pediu aos europeus que usem sua influência para conter as ações militares de Israel.
Diálogo fragilizado
As potências europeias vêm demonstrando crescente frustração com a postura dos Estados Unidos nas negociações nucleares. Exigências consideradas excessivas e a falta de prazos claros têm sido apontadas como entraves à retomada de um acordo estável.
A reunião em Genebra, embora cercada de incertezas, é vista como uma última tentativa de preservar a via diplomática e evitar que a crise nuclear iraniana evolua para um novo conflito armado no Oriente Médio – desta vez com participação direta das maiores potências globais.
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onte e foto: CNN
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