O grupo Lume Teatro estreia nesta sexta-feira (22), em Belo Horizonte, o espetáculo “Kintsugi, 100 memórias”, no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH). A peça permanece em cartaz até 15 de setembro, com sessões de sexta a segunda, às 19h. A dramaturgia é assinada por Pedro Kosovski, e a direção é do argentino Emilio García Wehbi.
O trabalho surgiu de uma imersão dos atores-pesquisadores Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini na ala psiquiátrica do Hospital das Clínicas de Campinas (SP), onde acompanharam pacientes com Alzheimer. A proposta inicial era abordar a perda da memória sob a ótica das demências. No entanto, o projeto evoluiu para refletir também sobre apagamentos históricos, como os da ditadura militar, povos indígenas e africanos escravizados.
Composto por fragmentos soltos de 100 lembranças individuais e coletivas, o espetáculo não segue uma narrativa linear. O nome “Kintsugi” vem da técnica japonesa de reparação de cerâmicas que valoriza rachaduras em vez de escondê-las, metáfora para os traumas que marcam a história do país e das pessoas. A montagem busca destacar a quebra da ordem democrática em 1964 como uma fissura central da memória brasileira.
A temporada em Belo Horizonte ocorre em um momento de reflexão sobre o papel da arte na preservação da memória e na formação da consciência coletiva. Para o ator Jesser de Souza, “o teatro é, antes de tudo, um encontro entre seres humanos”, capaz de transformar tanto o público quanto os artistas envolvidos.Da Redação Com informações da Prefeitura de Belo Horizonte
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