A doutoranda brasileira Márcia Rodrigues, de 31 anos, foi deportada da França no dia 21 de maio, mesmo apresentando um visto válido emitido por Portugal, onde realizava parte de seus estudos. O episódio aconteceu no aeroporto de Paris, onde a estudante pretendia passar alguns dias antes de retornar ao Brasil. O que era para ser uma breve visita acadêmica e cultural se transformou em uma experiência traumática e, segundo ela, marcada por constrangimento e abusos.
Com visto aprovado pela Agência para a Imigração e Mobilidade (AIMA), Márcia afirmou ter recebido orientação de que poderia circular pelo Espaço Schengen — bloco europeu que permite livre trânsito entre países signatários, incluindo Portugal e França. Mesmo assim, ao desembarcar em Paris, foi detida por agentes da imigração, levada para uma sala isolada e impedida de usar o passaporte e o celular. Durante 12 horas, ficou sob custódia em um ambiente que classificou como hostil e intimidador.
“Todas as vezes que eu tentava pegar o passaporte ou usar o tradutor, o policial gritava comigo. Eu me sentia acuada. Assinei um documento que nem sei o que era, por medo. E só depois fui informada de que, supostamente, não poderia entrar em nenhum país da Europa”, relatou.
De volta a Lisboa no dia seguinte, Márcia procurou imediatamente o consulado brasileiro, preocupada com a escala que ainda faria na Alemanha antes de regressar a São Paulo, no dia 26 de maio. No consulado, recebeu apoio e foi informada de que, de acordo com o visto e os documentos que possuía, não havia nenhuma irregularidade que justificasse a deportação.
Além da confusão jurídica, o episódio trouxe à tona questões mais profundas sobre o tratamento dispensado a imigrantes, especialmente mulheres negras. Em suas redes sociais, Márcia relatou que sua experiência no exterior foi marcada por assédios e inseguranças. “Nunca foi meu sonho estar na Europa. Eu tive muito medo desde o começo, por causa do que sei que acontece com mulheres como eu. A bolsa foi uma oportunidade, sim, mas também uma grande fonte de ansiedade.”
Márcia destacou ainda o receio de que outras pessoas em situações semelhantes passem pelo mesmo. “Quero que haja um esclarecimento oficial, porque há outros estudantes como eu, com vistos legais, que podem acabar expostos a esse tipo de tratamento sem saber como reagir”, afirmou.
Até o momento, a Embaixada da França no Brasil não se pronunciou sobre o caso. O Itamaraty declarou, por meio de nota, que acompanha a situação e que sua rede consular está à disposição para prestar assistência à cidadã brasileira, sugerindo também consulta direta às autoridades migratórias francesas.
O episódio reacende o debate sobre a atuação de serviços de imigração nos países europeus, o respeito aos direitos de estudantes internacionais e a necessidade de protocolos mais claros, humanos e transparentes. Márcia, que optou por não prorrogar sua estadia em Portugal, retorna ao Brasil com um apelo: “Que outras mulheres como eu não precisem passar pelo que passei para entenderem seus direitos e os limites desse sistema.”
Fonte e foto: Redes Sociais
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