O mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia de forte turbulência nesta sexta-feira (10), impactado por uma combinação de fatores externos e domésticos que levaram o dólar a superar a barreira dos R$ 5,50 pela primeira vez desde o início de agosto. A escalada de tensões comerciais entre Estados Unidos e China, somada a preocupações crescentes com o quadro fiscal brasileiro, criou um ambiente de aversão ao risco que penalizou o real e a bolsa de valores.
O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,503, registrando uma alta expressiva de 2,38%, ou R$ 0,128, em apenas um pregão. O movimento foi volátil: a moeda chegou a abrir em queda, mas inverteu a tendência rapidamente, atingindo a máxima de R$ 5,51 durante a tarde. Com este desempenho, o dólar acumula uma valorização de 3,13% na semana e de 3,39% em outubro, consolidando o real como a moeda com o pior desempenho entre os principais países emergentes no dia.
O pessimismo também dominou o mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 140.680 pontos, com um recuo de 0,73%, marcando o segundo dia consecutivo de perdas. O indicador atingiu seu menor nível desde 3 de setembro e já acumula uma desvalorização de 3,8% no mês, refletindo a cautela dos investidores.
Guerra comercial e impacto global
O principal gatilho para a instabilidade global foi a nova ofensiva comercial de Washington contra Pequim. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em uma plataforma social que seu governo estava “calculando um grande aumento de tarifas sobre produtos da China”. A medida seria uma retaliação à decisão chinesa de ampliar os controles de exportação sobre terras raras, insumos estratégicos para a indústria de tecnologia.
A ameaça se concretizou no início da noite, quando Trump anunciou a imposição de uma nova tarifa de 100% sobre produtos chineses, uma decisão que deve pressionar ainda mais os mercados globais na próxima semana. O impacto foi imediato: as bolsas americanas fecharam em forte queda, com os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones registrando perdas de 2,71%, 3,56% e 1,88%, respectivamente. Em busca de segurança, investidores migraram para ativos como ouro e títulos do Tesouro americano. O preço do petróleo também sentiu o golpe, com o barril do tipo Brent recuando mais de 4%, para US$ 62,73, seu menor nível em cinco meses.
Cenário doméstico agrava a crise
No Brasil, a turbulência externa foi amplificada por renovados receios sobre a saúde das contas públicas para 2026. A recente derrubada de uma medida provisória (MP) que visava aumentar a tributação de investimentos deixou um rombo estimado em R$ 17 bilhões no orçamento do próximo ano, que é um ano eleitoral. A perda de arrecadação gera incertezas sobre a capacidade do governo de cumprir suas metas fiscais, e a expectativa é que alternativas para compensar essa perda sejam discutidas na próxima semana, adicionando mais uma camada de apreensão ao mercado local.
Da Redação do Jornal Panorama, com informações da Agência Brasil
Foto: jcomp/Freepik
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