O despejo da comunidade Paraíso, localizada às margens da represa de Três Marias, em Felixlândia, foi debatido na manhã desta segunda-feira (22/9) pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A ação, realizada em 3 de setembro com participação da Polícia Militar e coordenação da Polícia Federal, foi denunciada como ilegal por moradores e representantes de organizações sociais.
Durante a audiência, pescadores relataram truculência e ausência de mandado judicial. Centenas de casas foram destruídas, afetando famílias que já enfrentam dificuldades desde o rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho. A justificativa oficial alegou danos ambientais e ocupação em área abaixo da cota de inundação da represa, mas moradores afirmaram que a operação desconsiderou suas formas de moradia e trabalho.
Representantes da comunidade, como Jairo Teixeira e Silvana Gomes, questionaram o tratamento desigual em relação a pousadas e condomínios na mesma região. Já a defensora técnica Paula Márcia Oliveira, do Instituto Guaicuy, ressaltou que a ocupação existe há mais de 20 anos e que os pescadores mantêm dupla residência — uma na cidade e outra próxima ao local de trabalho.
O Tenente Coronel Mário Lúcio, da Polícia Militar, afirmou que a corporação apenas deu apoio à operação, atendendo a requisição do Ministério Público Federal. No entanto, parlamentares cobraram responsabilidade institucional e questionaram a participação da PM sem apresentação de mandado judicial.
Da Redação Com informações da ALMG.
Foto: Guilherme Bergamini
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