O Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para refletir sobre os avanços e os desafios enfrentados pelas mulheres na política, setor em que sua representatividade ainda está longe de ser proporcional à população. No Brasil, mulheres correspondem a mais de 50% do eleitorado, mas ocupam apenas 15% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 12% no Senado. Nos municípios, os números também são baixos: apenas 12% das prefeitas eleitas em 2020 e 16% das vereadoras refletem a sub-representação feminina no Legislativo local.
Batalha por espaço e voz
Apesar dessas dificuldades, a atuação de bancadas femininas tem conquistado avanços importantes. Um exemplo recente é o aumento da participação de mulheres na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, abrindo espaço para discutir propostas voltadas à inclusão, igualdade de gênero e políticas sociais. Deputadas como Geovania de Sá (PSDB-SC), eleita para a 3ª Secretaria, e Flávia Arruda (PL-DF), primeira mulher a presidir a Comissão Mista de Orçamento, destacam-se por fortalecer a presença feminina na política e inspirar novas lideranças.
A participação das mulheres não é apenas simbólica: estudos mostram que a presença feminina nos espaços de decisão contribui para políticas mais inclusivas, focadas em educação, saúde, direitos reprodutivos e combate à violência. Ao ocupar cargos de liderança, elas também desafiam estereótipos e servem de referência para jovens e futuras eleitoras e candidatas.
Histórico e conquistas
O caminho da mulher na política brasileira é marcado por conquistas significativas e desafios persistentes. O direito ao voto feminino foi conquistado em 1932, tornando-se universal em 1934, e abriu portas para participação política efetiva. Décadas depois, legislações como a Lei das Cotas (1997) passaram a exigir que ao menos 30% das candidaturas partidárias fossem femininas, buscando reduzir a desigualdade de gênero nos espaços políticos.
Movimentos feministas e sufragistas foram fundamentais para assegurar direitos que hoje são garantidos por lei, como igualdade salarial, proteção contra violência e políticas públicas voltadas para mulheres. Ainda assim, dados mostram que mulheres ainda recebem, em média, 20% menos que homens em cargos equivalentes, e a presença feminina em cargos executivos e legislativos segue limitada.
Violência política de gênero
Um dos principais obstáculos à participação feminina na política é a violência política de gênero. Essa forma de agressão se manifesta por ataques misóginos, assédio, ameaças e, em casos extremos, homicídios, com o objetivo de intimidar e excluir mulheres dos espaços de poder. Casos emblemáticos, como o assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018, e ameaças a deputadas como Sâmia Bomfim e Marina do MST, ilustram o quanto a violência política pode ser pessoal, violenta e estrutural.
A legislação brasileira tem avançado, como a Lei Federal 14.192/2021, que tipifica a violência política contra mulheres, mas a implementação efetiva de medidas de prevenção e proteção ainda é um desafio.
Exemplos de liderança feminina no mundo
O impacto da liderança feminina pode ser observado globalmente. Jacinda Ardern, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, foi reconhecida mundialmente por sua atuação durante a pandemia de covid-19 e em crises nacionais, conciliando decisões rápidas com empatia. Angela Merkel, chanceler da Alemanha por 16 anos, guiou seu país e a União Europeia por períodos de crise econômica e política, sendo referência em estabilidade e prudência.
No Brasil, figuras como Dilma Rousseff, primeira mulher presidente; Michelle Obama, ex-primeira-dama e ativista; Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial; e Manuela D’Ávila, deputada e defensora da igualdade de gênero, também mostram como mulheres têm moldado políticas e ampliado a participação feminina em diferentes frentes.
O caminho à frente
O aumento da participação feminina na política é um passo essencial para consolidar uma sociedade mais justa e inclusiva. Garantir representatividade, proteger mulheres da violência política e incentivar a participação de jovens são medidas fundamentais para fortalecer a democracia e assegurar que as decisões públicas reflitam as necessidades de toda a população.
O Dia Internacional da Mulher serve como lembrete da importância de valorizar, proteger e ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão, garantindo que sua voz seja ouvida, respeitada e efetivamente representada.
Por Graziela Matoso/ foto: Redes sociais
Jornal Panorama Minas – Grande Circulação no Estado de Minas Gerais – Noticiando o Brasil, Minas e o Mundo – 51 anos de jornalismo ético e profissional
