A defesa do general da reserva Braga Netto protocolou, na segunda-feira, dia 16 de junho, um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que seja realizada uma acareação entre o militar e o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid. Os advogados alegam que existem contradições nos depoimentos prestados por ambos e que a medida seria necessária para esclarecer pontos cruciais do processo.
De acordo com a petição, a acareação visa elucidar as acusações feitas por Cid, que apontam que Braga Netto teria participado da elaboração do plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, supostamente voltado à execução de um golpe de Estado, incluindo a morte de autoridades. Cid também afirmou que teria recebido do general uma quantia em dinheiro entregue dentro de uma sacola de vinho, supostamente destinada a militares do esquadrão de elite do Exército, conhecidos como “kids pretos”.
Os defensores do general alegam que Mauro Cid não apresentou provas que sustentem suas declarações e reforçam que a diligência complementar é essencial para uma investigação justa. “Não é demais explicitar que essa diligência complementar se mostra necessária para a devida apuração dos fatos, pois Mauro Cid não trouxe aos autos provas que corroborassem suas acusações em face do general Braga Netto”, diz o texto assinado pela defesa.
Além da acareação, os advogados também solicitaram a suspensão temporária da ação penal que investiga a tentativa de golpe, a fim de permitir uma análise minuciosa de todo o material probatório reunido no processo. Segundo a defesa, a complexidade do caso e o volume de documentos exigem maior prazo para avaliação técnica.
Na semana anterior ao pedido, Braga Netto foi interrogado por Alexandre de Moraes e negou qualquer envolvimento com o plano Punhal Verde e Amarelo. Também refutou ter repassado valores a Mauro Cid em sacola de vinho, bem como qualquer relação com transferências destinadas ao grupo militar citado nos autos.
Braga Netto está detido desde dezembro de 2023, sob a acusação de tentar interferir nas investigações sobre uma possível tentativa de golpe de Estado e de buscar informações sigilosas a respeito das delações prestadas por Mauro Cid. A solicitação feita ao STF poderá redefinir os rumos da ação penal em curso.
Com informações: Agência Brasil
Foto: Isac Nóbrega/PR
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