Em fevereiro de 2025, a decisão do presidente Donald Trump de encerrar as operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) gerou grande impacto nos projetos de conservação da Amazônia. A agência americana, que já havia aprovado um investimento de US$ 16,2 milhões (aproximadamente R$ 94 milhões), tinha como objetivo financiar diversas iniciativas de preservação da floresta, incluindo o desenvolvimento de projetos voltados para a sustentabilidade e a proteção da biodiversidade.
Projeções de Investimento
A verba destinada à Amazônia estava inicialmente dividida entre diferentes projetos que abrangem desde a conservação da biodiversidade até o combate a incêndios florestais. Os valores já estavam garantidos pelo governo dos EUA, mas a suspensão pode impedir que mais fundos sejam liberados, dependendo da aprovação do Congresso no Orçamento de 2025.
A USAID, que responde por 42% da ajuda humanitária mundial, também financia uma série de projetos de desenvolvimento sustentável. O corte anunciado por Trump afeta diretamente a continuidade dessas iniciativas na região amazônica, com algumas delas já em andamento.
Projetos Suspensos e Impactos Locais
O primeiro grande projeto afetado foi o “Alianças para a Amazônia”, que tinha um orçamento de US$ 9,2 milhões, com prazo até 2030. Esta iniciativa envolvia o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), da Colômbia, e tinha como objetivo impulsionar o desenvolvimento sustentável e a conservação da biodiversidade, com foco em 123 negócios locais que já apoiam a preservação ambiental.
Outro projeto importante suspenso foi o “Tapajós para a Vida”, que visava melhorar a conservação e o uso sustentável das áreas protegidas na Bacia do Rio Tapajós. Com um financiamento de R$ 4 milhões, o projeto contemplava a capacitação de comunidades locais, como indígenas, para o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como o turismo ecológico.
Além disso, havia outros projetos em andamento, com previsão de investimentos superiores a US$ 3 milhões até 2028, que também foram afetados pela decisão. O Centro de Trabalho Indigenista (CIT), que trabalha com a “Aliança dos Povos Indígenas pelas Florestas da Amazônia Oriental”, aguardava oficialmente a manifestação da USAID, mas ainda não havia recebido novas orientações sobre a continuidade do apoio.
Combate aos Incêndios Florestais em Risco
A decisão de Trump também comprometeu ações essenciais no combate a incêndios florestais, como o Programa de Manejo Florestal e Prevenção de Incêndios no Brasil. Desde 2021, esse programa, em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), capacitou milhares de brigadistas, com foco especial em mulheres indígenas, para atuar diretamente no enfrentamento de incêndios em áreas da Amazônia. De 2021 a 2023, foram realizados 51 treinamentos em colaboração com órgãos governamentais como Ibama, Funai e ICMBio.
Com a suspensão da USAID, essas iniciativas de formação e capacitação, que já impactaram mais de 3 mil pessoas, ficam incertas, afetando diretamente a preparação e o enfrentamento de desastres ambientais na floresta.
O Futuro da USAID e Seus Projetos
Apesar da decisão de Trump, a justiça americana está questionando o fechamento da agência, e o futuro da USAID ainda está em debate. Os projetos na Amazônia, essenciais para a preservação da maior floresta tropical do mundo, enfrentam um cenário de incerteza. A comunidade internacional aguarda um posicionamento definitivo que poderá determinar o destino de bilhões de dólares em investimentos fundamentais para a conservação ambiental.
Com informações do site do Governo Americano e G1
