A adoção de cordões de identificação para pessoas com deficiências invisíveis tem se consolidado no Brasil como uma ferramenta importante na promoção da inclusão, do respeito aos direitos e na facilitação do acesso a serviços públicos e privados. Esses instrumentos visuais, embora simples, têm desempenhado um papel relevante na conscientização da sociedade e na garantia de atendimento prioritário a quem muitas vezes não apresenta sinais visíveis de deficiência.
Formalizado pela Lei nº 14.624/2023, o Cordão de Girassol tornou-se símbolo nacional para a identificação internacional de pessoas com deficiências ocultas — aquelas que não são percebidas de imediato, como transtornos do espectro autista, surdez, transtornos de ansiedade, entre outras condições intelectuais e cognitivas. Embora o uso não seja obrigatório, a norma altera o Estatuto da Pessoa com Deficiência e fortalece a política de atendimento prioritário, independentemente da adoção do cordão.
Diversos tribunais e órgãos públicos no país têm promovido campanhas de conscientização sobre o uso do Cordão de Girassol, ampliando a compreensão da sociedade sobre a necessidade de empatia e respeito às condições não visíveis de deficiência.
Outro símbolo já amplamente difundido é o Cordão de Quebra-Cabeça, previsto na Lei nº 13.977/2020, que estabelece diretrizes para o reconhecimento da prioridade de atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O padrão do cordão tem sido utilizado por estabelecimentos públicos e privados para facilitar a identificação e o cumprimento da legislação. Apesar de ser funcional para muitos, o símbolo não é unanimidade entre os autistas — parte da comunidade critica sua origem em um período marcado por estigmas e representações inadequadas do transtorno.
Em contraponto, o símbolo do infinito, com suas cores vibrantes e formas fluídas, tem ganhado adesão crescente. Criado dentro da própria comunidade autista, o desenho passou a representar o movimento da neurodiversidade, promovendo uma visão mais ampla e positiva sobre as diferenças neurológicas. Embora não tenha respaldo legal, é amplamente reconhecido como emblema de um movimento social que defende a aceitação das múltiplas formas de funcionamento cerebral.
O avanço dessas iniciativas representa não apenas um progresso na identificação de necessidades específicas, mas também uma mudança cultural significativa. A adoção de cordões e símbolos por pessoas com deficiências invisíveis evidencia a importância de políticas públicas sensíveis e atualizadas, que levem em conta as diversas formas de ser e existir. Ao facilitar o reconhecimento e a oferta de suporte adequado, esses símbolos reforçam o compromisso com uma sociedade mais acessível, empática e inclusiva.
Por Leonardo Souza
Com as informações: Exame.
Fotos: Guilherme Dardanhan
