O comércio brasileiro caminha para registrar, em 2025, um dos melhores Natais da última década. Projeções divulgadas pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam que o varejo deve movimentar R$ 72,71 bilhões em vendas no período natalino, o maior volume dos últimos dez anos. O resultado representa um crescimento real de 2,1% em relação a 2024, já descontada a inflação, e reforça o peso do Natal como a principal data comemorativa do calendário comercial no país.
Caso a estimativa se confirme, este será o melhor desempenho desde 2014, quando as vendas natalinas alcançaram R$ 77,26 bilhões. Na avaliação da CNC, o avanço é significativo, sobretudo diante de um cenário econômico ainda marcado por desafios estruturais, como juros elevados, crédito mais restrito e alto nível de endividamento das famílias brasileiras.
Apesar desses obstáculos, a entidade aponta que fatores como a melhora gradual do mercado de trabalho, a desaceleração da inflação ao longo do ano e a recuperação parcial da renda ajudaram a sustentar o consumo das famílias no fim de 2025. A combinação desses elementos cria um ambiente mais favorável para as compras de Natal, ainda que os consumidores adotem uma postura mais cautelosa.
Entre os segmentos que devem liderar o crescimento das vendas estão supermercados e hipermercados, tradicionalmente impulsionados pelas ceias e confraternizações, além de vestuário, calçados, perfumes, cosméticos e artigos eletroeletrônicos. A CNC destaca que os consumidores tendem a priorizar itens de uso pessoal e presentes de menor valor agregado, optando por compras mais planejadas, com forte atenção a preços, promoções e condições de pagamento.
O comportamento do consumidor, segundo a entidade, reflete um cenário de maior racionalidade nas decisões de compra. Parcelamentos, descontos à vista e promoções sazonais devem ter papel central na estratégia do varejo para atrair clientes. O comércio eletrônico, que vem ganhando espaço nos últimos anos, também deve manter participação relevante, impulsionado pela conveniência e pela comparação de preços.
Além do impacto direto no faturamento das empresas, o Natal de 2025 deve trazer reflexos positivos para o mercado de trabalho. A CNC estima a criação de aproximadamente 112,6 mil vagas temporárias, número cerca de 5% superior ao registrado no ano anterior. Tradicionalmente, uma parcela desses postos é efetivada nos primeiros meses do ano seguinte, contribuindo para a geração de renda e para a redução do desemprego no início de 2026.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o desempenho esperado para o Natal pode ajudar o comércio a fechar o ano em um patamar mais positivo. Segundo ele, o resultado tende a aliviar parte das perdas acumuladas ao longo de 2025 e criar um ambiente mais favorável para o início do próximo ano.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações do Brasil 61
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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